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PALESTRAS E ENCONTROS

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quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

PROFECIA: PALAVRA DE DEUS NA VIDA


BOCA DE DEUS, BOCA DO POVO
A palavra profeta quer dizer “falar em nome de”. Na Bíblia, profeta é alguém que fala em nome de Deus (leiam Ez 3,10-11). O que quer dizer isso?
Os profetas são os porta-vozes de Javé, o Deus da Aliança. Eles comunicam ao povo o recado que Deus tem a dar nas mais diversas situações (Am 3,3-8). Também apresentam a Deus o recado do povo (Am 7,1-3). É boca do povo para Deus e boca de Deus para o povo!
Os profetas:
· falavam com Javé e transmitiam os recados Dele para o povo;
· eram videntes, curandeiros, lideres populares, poetas...
· conheciam profundamente a realidade presente, prevendo suas conseqüências futuras;
· questionavam e desmascaravam os poderosos;
· chamavam o povo de volta para a Aliança;
· denunciavam a injustiça e anunciavam a justiça de Javé.
Haviam profetas contratados pelos reis para orientar suas ações (2Sm 24,11; 2Rs 22,13-14). Outros eram pessoas simples que se entregavam à causa da verdade (Jr 1,4-8). Outros, ainda, faziam política partidária com o objetivo de melhorar a vida do povo (2Rs 9,1-4).
A mensagem profética tinham com elementos principais:
· palavras fortes e diretas;
· gestos simbólicos;
· entusiasmo e convicção;
· questionamentos profundos;
· convite à conversão.
Para os oprimidos, a mensagem profética era de consolo e encorajamento. Para os opressores, era bronca das fortes!

PROFETAS: AÇÃO EM COMUNIDADE
Os profetas se comprometiam com pessoas concretas: viúvas, órfãos, camponesas, sem-terra... gente que clamava dia e noite a Javé pedindo justiça.
Os profetas não agiam sozinhos. Animavam grupos proféticos que assumiam com eles o compromisso com os pobres, memorizavam as profecias e iam passando recado aos vizinhos, filhos e netos.
Certos grupos escreveram as profecias em livros que hoje estão na Bíblia. Outros não escreveram, ou os escritos foram perdidos. Muitos atuaram anonimamente.
Os grupos rezavam, refletiam e partiam para a ação. Em alguns casos, viviam como uma família, na mesma casa, liderados pelo profeta em pessoa (2Rs 6,1-3). Outros cultivavam a tradição dos profetas antigos, vividos em outras épocas. Foi o caso dos profetas Isaías e Jeremias.
Na Bíblia, há profecias de diferentes épocas. Foram escritas por grupos proféticos que refletiam sobre a realidade à luz das profecias antigas e descobriam os caminhos de Deus em meio à escuridão. As profecias antigas serviam de lanterna na estrada escura da vida. Os grupos proféticos achavam coisas surpreendentes com as lanternas. Foi assim que os primeiros cristãos descobriram, com a ajuda das profecias-lanternas, que Jesus era o Messias, o Filho do Deus vivo.

VERDADEIROS E FALSOS PROFETAS
Nm todos os profetas agiam de acordo com a vontade de Deus. Alguns “profetizavam” em nome de interesses próprios (Mq 3, 5-8). Eram os falsos profetas, que mentiam e defendiam os opressores usando o nome de Javé.
O povo hebreu havia saído do Egito, terra da opressão. Lá, o Faraó era o senhor que se apropriava do fruto do trabalho do povo. Na Terra Prometida, o povo teria o fruto de seu próprio trabalho> Não haveria nenhum Senhor além de Javé! Essa era a idéia central da Aliança.
Com o surgimento dos reis em Israel, o povo foi esquecendo o Êxodo e deixou de lado o projeto igualitário das tribos. Acabou construindo um “Egito” na Terra Prometida, fazendo da terra da liberdade uma terra de escravidão.
Reis, sacerdotes, magistrados, proprietários de terra e ricos usavam o nome de Javé para cometer toda espécie de injustiça e tomar o que era dos pobres (Am 5,10-12; Mq 2,8-9). Seus aliados eram falsos profetas. Estes justificavam a corrupção dos ricos e a miséria dos pobres como se fossem a vontade de Javé.
Os maiores adversários dos poderosos eram os verdadeiros profetas. Eles sabiam como abrir os olhos do povo e desmascaravam os injustos com a autoridade dada por Javé. Eram fiéis à verdade e à justiça, mesmo quando isso lhes trazia problemas (Jr 20,7-8).

A LUTA CONTRA A IDOLATRIA
A grande luta dos profetas foi a favor da Aliança e contra a idolatria. Vocês se lembram o que é Aliança? (Vejam o 5o. Encontro: Deus faz Aliança com o povo). E idolatria o que é?
Quando o povo abandonava a Aliança e praticava a injustiça, alimentando um sistema social injusto, estava fazendo o que a Bíblia chama de idolatria (2Rs 17,13-17). Estava abandonando o Deus vivo e indo atrás de “deuses” vazios.
Idolatria ou culto aos ídolos é se apoiar num Deus falso. É vender gato por lebre. O idólatra é como o consumidor que se ilude com a propaganda enganosa.
Idolatria não é trocar Javé , nome bíblico de Deus, por um outro nome. Mudar o rótulo não altera o conteúdo da garrafa. Podemos chamar Deus de Pai, Mãe, Senhor, Javé, Adonai, Alá...
O culto aos ídolos, na Bíblia, é cheio de conseqüências desastrosas. Os chefes do povo inventavam deuses que justificavam a injustiça e a violência.
Adorar ao Deus vivo levava a adotar o estilo de vida, proposto na Aliança: liberdade, igualdade, partilha. Trocar o Deus vivo por falsos deuses era adotar como estilo de vida a escravidão e a injustiça (Dt 5,6-7).
Os profetas combatiam a idolatria, inclusive quando ela se disfarçava de “culto a Javé” (Mq 3,9-12). Pois, muitos sacerdotes e falsos profetas usavam o nome de Javé para enganar o povo. Punham o rótulo “Javé” na garrafa, mas o conteúdo era falsificado!
Os profetas tinham que recordar ao povo o Êxodo e a Aliança, para que soubesse discernir qual era o projeto do Deus vivo e rejeitasse o projeto de morte escondido atrás do culto a Javé.

Fonte: Folheto Ecoando 7 - formação interativa de catequistas - Editora Paulus

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