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PALESTRAS E ENCONTROS

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sábado, 29 de novembro de 2008

DEUS FAZ ALIANÇA COM O POVO


DA ESCRAVIDÃO À LIBERDADE
Por volta de 1250 a.C., os hebreus estavam em plena escravidão no Egito (leiam Ex 5,6-9). Javé, o Deus de Abraão, ouviu o clamor desse povo e enviou Moisés para liderar a luta do pela libertação (Ex 3,1-10).
Não foi fácil a saída. O Faraó não queria dar liberdade aos hebreus. Ao povo também custava muito acreditar em Moisés e enfrentar o Faraó (Ex 5,4-5; 6,10-12). Só depois de muita resistência os hebreus pegaram a estrada em busca da Terra Prometida.

ALIANÇA: CAMINHO DA LIBERTAÇÃO
Livres, os hebreus quiseram organizar sua nova vida. Esta não seria como no Egito, na opressão e desigualdade, mas sim de acordo com a vontade de Javé (Ex 19,1-8). Uma vontade muito exigente!
Deus quer vida e bem-estar para todos, não só para alguns privilegiados. A vontade de Deus é que o povo viva na justiça e na igualdade, sem violência e sem opressão.
O povo não queria mais viver sem a benção de Javé, o Deus libertador. Sabia que a vida sem Javé era pura escravidão! Antes de Javé chamar a liberdade, o povo hebreu vivia alienado. Com Javé assumia sua própria história. A Aliança nasceu da experiência de libertação.
“Estarei no meio de vocês e nunca mais os rejeitarei! Serei o Deus de vocês, e vocês serão o meu povo” (Lv 26,12)
Na Bíblia, Aliança é o acordo feito entre Javé e o povo hebreu. Deus se compromete a estar sempre no meio do povo. O povo se compromete a caminhar de acordo com a vontade de Deus.
Quando a Aliança é lembrada, Deus ganha o povo e o povo ganha a liberdade. Quando a aliança é esquecida, Deus perde o povo e o povo perde a liberdade. Mas nunca perde a Deus, pois Ele se dá gratuitamente e sempre.

LEI: CHAVE DA LIBERTAÇÃO
Freqüentemente vemos leis que ajudam a oprimir o povo. Quem cria as leis injustas são certos governantes e algumas pessoas da elite econômica, com o objetivo de defender seus privilégios pessoais. Elas não levam à libertação de ninguém.
A lei do povo de Deus não nasceu assim. Ela surgiu de um povo de escravos, de gente humilde que enfrentou os poderosos e confiou somente na força de Deus. Com a lei, o povo queria garantir os direitos de cada pessoa... até dos animaizinhos do campo (Dt 22,6-7!
A lei do povo de Deus tem como objetivo:
· defender a liberdade tão duramente conquistada;
· organizar a vida do povo na justiça e na igualdade;
· anunciar ao mundo todo, pelo testemunho de vida do povo, que Deus é Libertador;
· ensinar o povo a praticar o amor a Deus e ao próximo.

LEI: ESCOLA DA VIDA
Toda lei tem a função de ensinar, ou seja, é pedagógica. A lei de Deus ensina o povo a andar no caminho que leva à libertação.
Quando dizemos: “não mate”(Ex 20,13), não estamos apenas proibindo um ato. Estamos ensinando que uma pessoa não tem o direito de tirar o vida de outra. Também ensinamos que é preciso zelar pela vida do outro como da nossa e que a vida é preciosa aos olhos de Deus.
O apóstolo Paulo explicou o papel da lei na Carta aos Gálatas (3,23-24;4,1-7).
A lei é como a professora que ensina o aluno a ler. Enquanto o aluno aprende, a professora fica ao lado corrigindo os erros.
Em certo moment, o aluno já aprendeu tão bem que não precisa mais da professora. Deixa de ser aluno. A maior felicidade da professora é ver seus ex-alunos se virando sozinho e até ensinando a outros.
Por isso, vemos que muitos aspectos da lei do AT, já não servem para nós, hoje. Elas deram a lição, o povo aprendeu e não precisou mais delas.
Um exemplo é a lei do “olho por olho”: não cobrar de volta mais do que foi perdido (Dt 19,21). Os povos antigos cobravam sete por um (Gn 4,24)! Na época do AT, a lei do “olho por olho” serviu para impedir o povo de se auto-destruir pelas vinganças mútuas. Na época de Jesus, essa lei já estava superada (Mt 5,38-42).

OS MANDAMENTOS
O povo queria aprender a viver na justiça de Javé. Por isso elaborou as leis que encontramos hoje na Bíblia, especialmente no Pentateuco (ver 2o. encontro: CONHECENDO A BÍBLIA).
A Bíblia diz que o próprio Deus proclamou as palavras da lei (Ex 20,1). Foi o jeito que o povo encontrou para afirmar que a lei era sagrada. Não era uma lei qualquer! Dela dependia a liberdade e a sobrevivência do povo!
A lei da Aliança é sagrada não só porque se refere à vida religiosa. As leis bíblicas se preocupam com o cotidiano do povo, com situações familiares, políticas e sociais. Elas objetivam melhorar a vida do povo e não estabelecer meras obrigações de devoção.
É sagrada toda lei que promove a verdadeira justiça, defende a vida e ensina o povo a caminhar com Deus.
Entre as várias leis do AT, há um pequeno grupo que se destaca. Para a Igreja, elas formam um resumo do ensinamento do AT e sinal da eterna Aliança entre Deus e a humanidade. Sào os mandamentos.
Na Bíblia, temos os mandamentos tais como o povo daquela época viveu e ensinou de geração em geração. Vejam em Ex 20,1-17 e Dt 5,1-21.
A assinatura do autor dos mandamentos, em vez de estar no fim, está no começo (Ex 20,2; Dt 5,6):
“Eu sou Javé, seu Deus que fiz você sair da terra do Egito, da casa da escravidão”.
Essa frase é a chave para ler, entender e praticar corretamente os mandamentos.

MANDAMENTOS: DESAFIO CATEQUÉTICO
Os mandamentos não são:
· freios para conter a rebeldia do catequizando ou para causar medo às crianças;
· um dado arqueológico que serve apenas para explicar fatos do passado;
· uma régua para medir a santidade nossa ou dos outros.
Mandamentos são:
· estrada rumo à libertação e à vida em plenitude;
· proposta de vida pessoal e social;
· sinal da Aliança entre Deus e seu povo, que somos nós;
· instrumento pedagógico na educação da fé.
Os mandamentos visam a liberdade do ser humano para a glória de Deus. Não é possível falar dos mandamentos na catequese sem o princípio da interação fé-vida, que promove a participação, o diaálogo e o amadurecimento do catequizando pela escuta da Palavra de Deus.


Fonte: Folheto Ecoando 5 - formação interativa com catequistas - Editora Paulus

VOCABULÁRIO BÁSICO DO CATEQUISTA - LETRA N


O objetivo deste vocabulário é oferecer explicações mais simples de palavras religiosas mais comuns, necessárias para o conhecimento e formação dos catequistas.


NATAL – É a festa do Nascimento de Jesus celebrada no dia 25 de dezembro; teve início no ano 356, em Roma. O motivo da escolha da data foi para se opor à festa pagã do Sol invictus: Cristo, ao nascer, é o sol da justiça e a luz do mundo.
NAZARENO – Natural de Nazaré, pequena aldeia da Galiléia. Aplicado a Cristo nos Evangelhos e aos seus discípulos (At 24,5).
NAZIREUS – ou consagrados. Eram os israelitas fervorosos que faziam votos a Deus de não cortar o cabelo e de não tomar bebidas fermentadas. Sansão (Jz 13,5-7,14); João Batista (Lc 1,15).
NÔMADES – do grego, significa andar vagando pelos campos, em busca de pastagens. Povos nômades são aqueles que perambulavam sem meta fixa, à procura de condições melhores de vida.
NOMES - Revelam a essência de uma pessoa ou do seu destino. Dar nome é também dominar (Gn 2,20). Segundo a Bíblia, uma mudança de nome indica uma nova etapa de vida: de Abrão para Abraão; de Jacó para Israel; de Simão para Pedro; de Saulo para Paulo.
NOSTRADAMUS - Miguel de Nostradamus (1566), médico judeu-francês, dedicou-se à astrologia e às artes ocultas. Fez predições apresentando-as como revelações de Deus. Seu estilo obscuro se presta a diversas interpretações.
NOVA ALIANÇA – Para os cristãos, a Nova Aliança entre Deus e a humanidade realiza-se plenamente em Jesus Cristo, que com o seu sangue renova a Aliança do Sinai.
NOVA ERA – (em inglês: New Age). Surge como filosofia e cultura dos tempos modernos e não como religião. Seus adeptos professam idéias contrárias ao cristianismo, considerando um “Cristo cósmico” que virá na nova era de aquário. Divulgam-nas por meio da música, literatura, símbolos e ilustrações.
NOVA JERUSALÉM – Os profetas, com esta expressão, indicam a existência de uma cidade ideal, oposta à Babilônia, na qual se congregariam todos os povos, quando se cumprissem as esperanças messiânicas.
NOVO TESTAMENTO OU NOVA ALIANÇA – é a parte da Bíblia em que se encontra o anúncio da pessoa de Jesus Cristo. O NT compõe-se de 27 livros inspirados por Deus e que fazem parte do cânon da Bíblia como o AT. São: 4 Evangelhos, Atos dos Apóstolos, 13 Cartas de São Paulo, Carta aos Hebreus, 7 Cartas Apostólicas e o Apocalipse, todos redigidos no século I.
NOVÍSSIMO – Chamam-se novíssimos as últimas realidades da vida do ser humano na perspectiva da fé cristã: morte, juízo, inferno e paraíso.
NUNCIATURA APÓSTÓLICA – Representação diplomática do Vaticano junto aos governos civis, exercendo, ao mesmo tempo, a função informativa entre o Pontífice Romano e a Igreja Católica de cada país.
NÚNCIO APOSTÓLICO – Representante do Papa, como embaixador da Santa Sé, junto ao governo de um país.
NÚMEROS (simbolismo dos) – Há números na Bíblia que não tem valor aritmético, são símbolos, tais como: 3 pessoas da SSma. Trindade; Deus 3 vezes Santo, 4 elementos na filosofia: fogo, água, terra e ar ou os 4 cantos da terra; 7 como número completo e perfeito: 3+4=7 ou 3x4=12; 12 tribos e 12x12=144 do Apocalipse indicam a totalidade do povo de Deus; 40 anos é a duração de uma geração; 666 é o número da besta do Apocalipse, significando a imperfeição máxima (composto de trÊs 6, pois o nº 6 = imperfeição). Pode-se também interpretar com a soma das letras que formam o nome do imperador romano.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

BÍBLIA: DEUS NA HISTÓRIA DO POVO



Todo mundo sabe como é amizade. Pessoas se conhecem, vão se aproximando devagarinho. Compartilham momentos, crescem na intimidade. Passam por desentendimentos e reconciliações, crescendo sempre mais no amor.
O amor entre Deus e seu povo se parece muito com o amor de marido e mulher (Os 2,21-22; Ct 8,6). É um encontro que vai se aprofundando entre encontros e desencontros.
Vamos ver como a história do povo de Deus foi acontecendo através do tempo. Uma plantinha não cresce da noite para o dia. Assim, também, nosso relacionamento com Deus vai crescendo devagarinho, quando a gente se dedica e abre espaço para Ele.

LINHA DO TEMPO
ANTIGO TESTAMENTO



1800 a.C.: OS PATRIARCAS COMEÇAM UMA NOVA HISTÓRIA
As coisas andavam difíceis na Mesopotâmia, terra de Abraão e Sara. Os altos impostos geravam desigualdade e violência. A religião do país ensinava o povo a se conformar com a opressão. Cada família tinha seus deuses particulares.
Nessa época, o Deus Vivo se apresentou a Abraão e Sara. Ele os chamou para um grande projeto: formar o povo de Deus, que daria a todos os povos do mundo um testemunho de justiça e fraternidade. Para isso, o Deus Vivo lhes concedeu terra e filhos, os maiores tesouros para uma família (Gn 12,1-3). Abraão e Sara abandonaram os deuses para servir ao Deus Vivo e saíram de sua terra em busca de uma vida melhor em Canaã.
A certeza que guiava essa família era a fé no deus Vivo. Abraão e Sara simbolizavam as inúmeras famílias que confiaram no Deus Vivo e buscaram uma vida nova, longe da injustiça e da desigualdade.

1250 a.C.: ÊXODO – DEUS ESTÁ COM SEU POVO
Os hebreus, no Egito, eram obrigados a trabalhar de graça para o Faraó (Ex 1,11). A opressão não tinha limites. Javé, o Deus Vivo, foi fiel à promessa feita a Abraão e socorreu o seu povo (Ex 3,7-8).
Moisés liderou o povo na saída do Egito, chamada de êxodo. A festa que comemora, até hoje, a saída dos hebreus pela mão de Javé é a Páscoa. “Javé” quer dizer: “Eu Sou”, “Eu estou com vocês”.
Com Moisés, os hebreus saíram em busca da Terra Prometida, em Canaã. Fizeram com Javé uma Aliança.
A obediência aos mandamentos era a forma concreta de serem fiéis a Javé, o Libertador (Dt 5, 6-21; 6, 20-23).

1100 a.C. : TRIBOS –TERRA, IGUALDADE E JUSTIÇA
A entrada em Canaã não foi fácil. Os hebreus encontraram nas cidades o mesmo esquema de injustiça do Egito: impostos, violência e opressão.
O jeito foi lutar por uma nova sociedade, baseada na igualdade. Os hebreus se aliaram aos diversos grupos que resistiam contra a opressão em Canaã (Js 2,3-6). Buscaram sua força em Javé, o Deus do Êxodo, na luta contra os reis cananeus (Js 5,1).
Mas, os hebreus não foram fiéis ao projeto de Javé... Acabaram fazendo com os povo de Canaã o mesmo que os reis faziam antes (Jz 1,28).

1010-587 a.C.: REIS X PROFETAS
A partir do reinado de Davi os israelitas se tornaram mais fortes que os cananeus e começaram a imitar o estilo de vida deles. Esqueceram o projeto de igualdade das tribos. Recomeçaram a cobrança de impostos e os trabalhos forçados, gerando míséria.
Em Jerusalém, Salomão construi um templo a Javé, mas os profetas avisavam que Javé queria justiça e não cultos fingidos (Am 5,21-24).
Os profetas gritavam contra a infidelidade à Aliança com Javé (Am 2,6-10). Os mais conhecidos dessa época são: Elias, Eliseu, Oséias, Amós, Miquéias, Isaías, Jeremias, Sofonias.

930 a.C.: O REINO DOS ISRAELITAS SE DIVIDE
Salomão, o filho de Davi, exigiu muitos impostos do povo, principalmente do norte do país. Seu herdeiro Roboão prometeu fazer o mesmo e o norte declarou independência (1Rs 12,4.13-14.16). Formaram, então, o Reino do Norte (Israel) e o Reino do Sul (Judá).
O Reino do Norte acabou em 722 a.C., quando o império da Assíria invadiu a capital Samaria e levou o povo para o exílio.
Em Samaria, a Assíria assentou outros povos, que foram chamados samaritanos. Ainda na época de Jesus os samaritanos eram desprezados (Jo 4,9).

587-538 a.C.: EXÍLIO – ABALO NAS RAÍZES DO POVO
Em 722 a.C., a Assíria destrui o Reino do Norte porque não atendia mais suas exigências. Em 587 a.C. foi a vez do Reino do Sul. O império da Babilônia invadiu e destruiu Jerusalém. A elite foi levada para o exílio na Babilônia (2Rs 25,8-12).
Uma grande decepção tomou conta deles. Onde estavam as promessa a Abraão e o Deus poderoso do Êxodo? Javé não era fiel apenas aos israelitas?
No meio da crise, foram percebendo que Javé não era propriedade de Israel. Ele era o Criador de tudo e comandava o universo! Não existiam vários deuses, mas apenas um: Javé (Is 44,6)!
No exílio, o povo reforçou a confiança em Javé.

538-333 a.C.: A RECONSTRUÇÃO DA ALIANÇA
O império babilônio foi engolido pelo império persa em 538 a.C.. Os exilados tiveram liberdade para voltar a seu pais e recomeçar a Aliança. O império persa proibiu os judeus de ter independência política, com rei e exército, mas aprovou a reconstrução do templo.
O templo, nessa época, servia para controlar o povo e para recolher impostos. Por isso, muitos camponeses se opuseram a ele. A briga foi feia mas o projeto do templo venceu.

333-63 a.C.: O POVO DEFENDE SUA IDENTIDADE
Chegou o império grego para dominar os persa e todo o Oriente Médio. Até então, o comércio era na base da troca. Agora, entravam o dinheiro, os empréstimos, os juros e a escravidão por dívidas (Ne 5,1-5). As pessoas viraram mercadoria.
Os gregos não respeitavam a religião e a cultura dos povos dominados (1Mac 1,41.50). Os judeus resistiram a isso, pois sabem que perder a memória do Êxodo e de Javé seria perder para sempre a possibilidade de libertação (1Mac 2,27-30). Agarraram-se à tradição religiosa e foram à luta.
Os Macabeus lideraram uma grande luta pela identidade do povo. A guerrilha durou mais de 20 anos. E o grande império grego foi vencido!

63 a.C. a 135 d.C.: A RESISTÊNCIA FINAL
Roma era o novo império que chegava para dominar todo o mundo conhecido da época. Nesse tempo, Canaã passou a ser conhecida pelo nome de Palestina.
A dominação romana foi a última dos tempos da Bíblia. A resistência do povo foi tão grande que os romanos acabaram destruindo tudo novamente e dispersando o povo judeu pelos quatro cantos do mundo. Nesse período, porém, nasceu Jesus...
Fonte: Folheto Ecoando 4 - formação interativa com catequistas - Editora Paulus

VOCABULÁRIO BÁSICO DO CATEQUISTA - LETRA M


O objetivo deste vocabulário é oferecer explicações mais simples de palavras religiosas mais comuns, necessárias para o conhecimento e formação dos catequistas.


MAÇÃ – Popularmente associada ao pecado de Adão e Eva. Na verdade, a Bíblia não fala em maçã. Em Gn 3 aparece uma fruta, sem determinar qual. A maçã talvez tenha entrado na história porque durante séculos os cristãos falavam a língua latina. A palavra mal, em latim é malum, assim como maçã, em latim também é malum.
MAÇONARIA – Organização secreta, hoje espalhada por todo mundo. Nasceu como associação de pedreiros ingleses, no século XII. Era de caráter religioso, com princípios de fraternidade na própria organização. Seus membros são reconhecidos entre si por sinais e emblemas: avental, compasso e esquadro. No século XVIII, adotou uma orientação cultural, seguidora do pensamento do iluminismo e da política da elite influente, contrários às verdades cristãs. As lojas maçônicas (lugares de reuniões dos maçons) têm atitudes e posturas ideológicas diferentes umas das outras. Possuem um chefe, chamado de venerável ou grão mestre.
MACUMBA – Serve para designar diversas práticas religiosas que integram cultos de origem africana, católicos e espíritas kardecistas, (sincretismo) desdobrados em abundantes manifestações folclóricas: ervas, incenso, velas, cantos, danças e ritos com elementos mágicos e espirituais. A macumba recebe diferentes nomes: na Bahia, candomblé; no Rio de Janeiro, onde há mais de 60 mil templos de macumba, chama-se umbanda. Em todo Brasil há mais de 40 milhões de pessoas de diferentes classes sociais que estão relacionadas a este tipo de crença.
MAGISTÉRIO – É o ensinamento da Doutrina da Igreja pelo Papa e pelos Bispos, sucessores dos Apóstolos. É a interpretação autêntica da Tradição e das Escrituras.
MAGNIFICAT – Canto da Virgem Maria por ocasião da visita a sua prima Isabel (Lc 1,46-55). Esse canto tem analogia com o canto de Ana, mãe de Samuel (cf. 1Sm 2,1-10) e com outras passagens bíblicas.
MAGOS – Originalmente era o nome de uma tribo da Pérsia formada por sacerdotes que se dedicavam à astrologia. Daí o nome ser aplicado a adivinhos ou sábios. Mt 2,1-12 apresenta os magos como sábios vindos de fora do povo judeu.
MALDIÇÃO – Gesto religioso e mágico que provoca a desgraça a alguém. É o inverso de benção (Mt 25,41; Jo 7,49). A maldição e sua eficácia apóiam-se na força da palavra. No NT Jesus Cristo aparece como vencedor da maldição do pecado (Rm 8,1; 2Cor 5,21). O cristão não pode amaldiçoar os que o amaldiçoam (Lc 6,28).
MANÁ – Alimento dado por Deus ao povo de Israel no deserto (Ex 16). Jesus apresenta-se como verdadeiro alimento espiritual, superior ao maná, que procede do Pai e nos conduz à vida eterna (Jo 6,31-49).
MANDAMENTOS – ou Decálogo são os princípios que exercem grande influência na vida religiosa e moral da humanidade. Encontram-se na Bíblia no Ex 20,2-14; e no Dt 5,6-21. Trata-se da lei natural e manifestação da vontade de Deus, baseada no compromisso da Aliança que Deus fez com seu povo.
MANTRA – Som simbólico que provoca uma vibração interna que ajuda a mente a concentrar-se e favorece a auto-realização. Consiste numa frase que se repete sem cessar durante largo tempo. A interiorização faz com que a mente vá se compenetrando do sentido mais profundo dos conceitos expressos com palavras.
MAOMÉ – Nasceu em Meca, na Arábia, em 570. Teve uma visão do anjo Gabriel quando meditava na gruta de Hira. Maomé acreditou-se chamado para ser o único profeta de Deus. Pregou sobre a ressurreição dos mortos e o juízo de Deus. Rapidamente muitos discípulos seguiram a sua doutrina. No ano 622, iniciou o calendário islâmico, conhecido como Hegira. A religião islâmica, as práticas religiosas e sociais fazem parte do livro do Alcorão.
MARANATA – “Vem, Senhor Jesus” em Ap 22,20 e 1Cor 16,22 – no sentido escatológico, é expressão da expectativa com que a comunidade cristã aguardava a vinda do Senhor.
MARIA – Maria é virgem e santa, Mãe de Deus e da Igreja. Esta intimamente ligada à obra salvadora e messiânica de Cristo. É o perfeito modelo de fé pela sua entrega à vontade de Deus.
MARONITAS – Católicos orientais pertencentes à Igreja Ortodoxa. Adotam, na liturgia, as línguas síria e árabe. Estão espalhados no mundo e, no Brasil, tem uma eparquia (em grego significa diocese).
MÁRTIR – Em grego significa testemunha. Na Igreja emprega-se para designar aqueles que professam a Cristo até morrer por Ele ou por sua causa.
MÉDIUM – Aquele que, em certas manifestações físicas ou intelectuais, serve de intermédio entre encarnados e desencarnados; é um espírito comunicante. Allan Kardec defende a doutrina da reencarnação que é incompatível com o cristianismo.
MEMENTO – Significa: lembrança. Na liturgia eucarística lembramos da Igreja presente no mundo inteiro, dos falecidos e dos santos e santas.
MEMORIAL – “Fazei isto em memória de mim”. Na tradição judaico cristã é mais do que uma simples lembrança. É a atualização ritual das ações de salvação de Deus em favor de seu povo. A celebração litúrgica é sempre um memorial.
MESQUITA – Templo no qual os muçulmanos celebram seu culto comunitário. Sua construção é quadrangular, tendo no centro um pátio, com uma fonte ou piscina destinada às abluções rituais (rituais de purificação por meio da água, praticado em várias religiões). Nas paredes do templo estão gravadas algumas inscrições do Alcorão. A primeira mesquita foi edificada por Maomé. A partir do ano 629, as orações são voltadas para Meca.
MESSIANISMO – termo Messias deu origem ao messianismo. Aponta o desejo de salvação ou de libertação coletiva por parte de um salvador forte e poderoso que liberte os homens dos males que os afligem.
MESSIAS – Em hebraico significa ungido. Aplica-se ao sumo sacerdote, ao rei, aos patriarcas com suas famílias, designando um futuro salvador para restaurar o Reino de Deus. A comunidade cristã vê em Jesus de Nazaré o ungido, o Messias esperado, o Cristo.
METANÓIA – Significa mudança de vida, conversão, arrependimento interior dos pecados e, ao mesmo tempo, uma atitude externa visível da volta para Deus e inicio de uma nova vida.
MILAGRE – Ato de Deus ou ação realizada pelo poder de Deus, chamado também sinal. A catequese deve apresentar os milagres de Jesus não isoladamente, mas como provas da missão de Jesus e da realização da chegada do Reino de Deus entre nós.
MINISTÉRIO – Em sentido religioso, é um serviço na comunidade e para a comunidade. Há ministros “ordenados” que receberam o Sacramento da ordem como os bispos, sacerdotes e diáconos com a missão de anunciar a Palavra de Deus, presidir às Celebrações e animar a comunidade. Há ministros não ordenados exercidos pelos cristãos leigos e leigas que, com os mais diversos dons e carismas, enriquecem a vida da Igreja.
MIRRA – liquido de certa planta com perfume agradável; era usado como presente, remédio e para preparar ou perfumar os corpos para os enterros (Ct 3,6; Mt 2,11; Mc 15,23; Jo 12,7).
MISSA – Ver Eucaristia.
MISSÃO – Missio=”Mandar”. Ato de enviar uma pessoa para cumprir um encargo. Na vida cristã, todo batizado deve continuar a missão de Cristo.
MISSIONÁRIO – Pregador que se consagra à evangelização, à difusão da mensagem da sua religião.
MISTAGOGIA – Iniciação ao mistério cristão realizada por instrução doutrinal; acompanhamento, experiência, vivência e participação na celebração litúrgica.
MÍSTICA – É a vivência de uma profunda espiritualidade. É a motivação proveniente da fé que dinamiza a nossa ação. Todas as religiões e/ou pessoas possuem uma mística em graus distintos, segundo a intensidade da própria união com Deus.
MITO – Em sentido religioso expressa verdades que fundamentam a origem e a realidade do ser humano.
MITRA - é um símbolo colocado na cabeça do bispo nas celebrações solenes.
MOEDAS – No tempo do NT, havia na palestina três moedas correntes: a moeda oficial romana, a moeda grega e a moeda judaica local. O dinheiro para o Templo tinha que ser pago em moeda judaica local e não em moeda romana. Por isso, a existência de muitos cambistas na porta do templo. Moedas mais comuns gregas – dracma e tetradracma (de prata); - óbolo (de pouco valor); - talento (de grande valor). Moedas romanas: - denário (de prata) que era o salário de um dia de um trabalhador; - quadrante. A moeda judaica: -siclo (de prata); - mina, moeda fenícia utilizada pelos israelitas no comércio exterior.
MONGE – Pessoa retirada da vida social cotidiana e dedicada ao silêncio, à oração e à vida comunitária.
MONOTEÍSMO – Confissão de fé e adoração de um Deus único e verdadeiro, excluindo a existência de todos os demais deuses adorados no politeísmo.
MONSENHOR – Titulo concedido a alguns presbíteros , por certas funções exercidas na Igreja.
MOON – Fong Nyung Moon apresenta-se como o verdadeiro messias tendo fundado a seita Moon, em 1945. Sua proposta é uma ideologia religiosa e política.
MÓRMONS – Formam a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias fundada por Joseph Smith, em 1830, nos Estados unidos.
MOSTEIRO – ou Abadia. Casa onde vivem os monges, religiosos contemplativos, sob a direção de um abade.
MOVIMENTOS – são organizações sistemáticas de cristãos leigos para a realização de uma atividade determinada na vida da Igreja. Surgiram e se desenvolveram no início do século XX, tais como: Ação Católica, Cursilhos de Cristandade, TLC, RCC e outros.

MUÇULMANO – ou Maometismo, seguidor do islamismo, religião fundada por Maomé. Seus adeptos adoram o mesmo Deus Pai dos judeus e cristãos, que se revelou a partir de Abraão.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

OS POVOS DA BÍBLIA



O grande assunto da Bíblia é a história do povo de Deus morador no país de Canaã. Mas ela é história de muitos outros povos, a quem Deus acompanhou com o mesmo cuidado. A região habitada por eles era a mesma que, hoje, chamamos de Oriente Médio. Os principais povos que fazem parte da história bíblica são:
Egípcios: viviam da agricultura nas margens do rio Nilo. Formaram um poderoso império em 3000 a.C.. Tinham vários deuses (politeísmo), mas foram os primeiros a falar de um Deus único (monoteísmo).
Até hoje vemos lá pirâmides imensas, construídas com trabalhos forçados para serem túmulos dos faraós (leiam Ex 1,11). Por isso, obras públicas imensas e inúteis, feitas com o suor do povo, são chamadas hoje de obras faraônicas.
Cananeus: viviam em Canaã quando os israelitas conquistaram as cidades e dividiram o país entre suas próprias tribos (Jz 1,9).
Sua religião era ligada à agricultura. Os deuses mais importantes eram Baal, deus da chuva, e Astarte ou Asserá, deusa da fertilidade (Jz 2,11-13).
Filisteus: chegaram depois dos israelitas e se instalaram na beira do mar. Tentaram conquistar Canaã (Jz 13,1). Os israelitas tiveram que organizar um forte exército para defender o sistema de tribos.
Amonitas, moabitas e edomitas: viviam do lado direito do rio Jordão, como pastores. Ao longo de sua história, fizeram guerras e alianças com Israel. Eram como primos dos israelitas, pois descendiam todos da família de Abraão.
Assírios: faziam parte de um poderoso império que explorava outros povos através do comércio. Como tinha um exército forte, sempre levava a melhor nos acordos comerciais. Os pobres ficavam cada vez mais miseráveis e a Assíria cada vez mais rica. É parecido com o que acontece hoje entre países ricos e pobres.
Quando um povo se recusava a fazer parte desse jogo, a Assíria invadia o país rebelde e destruía tudo. Em 722 a.C., destruiu o norte de Israel e levou os israelitas para longe. (2Rs 17,3-6).
Babilônios: pertenciam a um império tão antigo quanto o império do Egito. Viviam na Mesopotâmia, entre os rios Tigre e Eufrates que garantiam prosperidade econômica. Babilônia se comunicava com o Egito através de várias estradas.
As principais estrads do Oriente Antigo passavam por Canaã. Por isso, todos os impérios queriam Ter o controle político e militar dessa região.
Muitas tradições religiosas da Babilônia foram aproveitadas na Bíblia. Por exemplo, as histórias de dilúvio (Gn 6-9).

A VIDA EM CANAÃ
Em Canaã, diversos povos viviam da agricultura e do pastoreio. Eles se organizavam em clãs ou grandes famílias. Vários clãs formavam uma tribo.
Nos clãs, a mulher e a criança eram consideradas propriedades do homem, como o rebanho e a terra. O líder da família era chamado de patriarca.
Os clãs viviam em pequenas aldeias em torno das cidades. Cada cidade tinha um rei, um exército (para proteger a cidade de invasores) e um santuário (onde eram adorados os deuses de cada povo).
Os camponeses viviam do trabalho na terra. Os reis, guerreiros e sacerdotes viviam dos impostos que cobravam dos camponeses e das tribos vizinhas dominadas. É o sistema tributário, pois se baseava nos tributos (impostos) que os mais fracos eram obrigados a pagar aos mais fortes.
O imposto podia ser pago de duas formas: com produtos da terra ou com trabalhos forçados para o rei. Era o sistema usado por todos os grandes impérios, como o Egito (Ex 1,11).
Muitos camponeses se revoltavam com esse sistema. Uns fugiam para as montanhas onde os exércitos não chegavam. Outros se organizavam e procuravam uma nova vida numa nova terra. Foi o caso dos hebreus no Egito, que clamaram a Javé e foram ouvidos. (Ex 2,23).
É muito importante conhecer o modo de vida daquela época. Como vamos entender a ação de Deus na vida sem olhar para a vida? Seria o mesmo que passear no escuro: a gente não vê nada e ainda corre o risco de pisar onde não deve...

FORMAÇÃO DO POVO DE DEUS
O povo de Deus é como o povo brasileiro: formado de muitas raças e culturas diferentes, que foram se misturando e formando um novo grupo.
Assim foi em Canaã. Gente de diversas regiões foi chegando e formando um único povo unido por um ideal: terra e pão, igualdade e justiça.
Esses povos brigavam muito, mas também se misturavam através de alianças e casamentos. Javé, o Deus da vida, era o ponto de união. Aderir a Javé era o mesmo que aderir à defesa da vida.
O povo de Deus não era apenas o grupo de israelitas, nem é hoje só o grupo de católicos (Am 9,7). Faz parte do povo de Deus toda pessoa que luta pela vida e é solidária com os irmãos.
Povo de Deus é povo a caminho da “terra prometida” de cada dia.




Fonte: Folheto Ecoando 3 - formação interativa com catequistas - Editora Paulus

VOCABULÁRIO BÁSICO DO CATEQUISTA - LETRA L


O objetivo deste vocabulário é oferecer explicações mais simples de palavras religiosas mais comuns, necessárias para o conhecimento e formação dos catequistas.


LADAINHA – Oração em que se alternam invocações e respostas. As mais usadas são a dos Santos e a de Nossa Senhora. Rezam-se as ladainhas em procissões, ordenações e na Vigília Pascal.
LATIM – Língua originária do Lácio (antiga região da Itália) e falada em todo o Império Romano. Durante séculos foi a língua oficial da Igreja Católica, usada principalmente nas celebrações litúrgicas.
LATRIA – Culto de adoração devido só a Deus – único e verdadeiro.
LAVA-PÉS – Gesto de Jesus na última Ceia quando institui a Eucaristia e o Sacerdócio. É repetido na Quinta-Feira Santa quando o ministro, bispo ou sacerdote testemunha o exemplo de Jesus que veio para servir e não para ser servido.
LECTIO DIVINA – Expressão latina que significa “Leitura Divina”. Originariamente era a leitura bíblica feita pelos monges. Usamos hoje para definir a Leitura Orante da Bíblia.
LEGIÃO - Regimento de 600 homens no exército romano. Nos Evangelhos o termo é geralmente usado para designar um grande número de anjos ou demônios, por causa de seu poder.
LEI – No AT tem o sentido de orientação e manifestação da vontade de Deus em todos os setores da vida. Para os israelitas tem o mesmo sabor que o Evangelho para os cristãos.
LEI DE MOISÉS – Todas as leis dadas aos israelitas por intermédio de Moisés. As mais importantes são os 10 mandamentos.
LEIGO – No sentido dogmático do Concílio Vaticano II são os membros do povo, batizados e fiéis a Deus.
LEITORATO – É o ofício conferido a algumas pessoas para que proclamem a Palavra de Deus nas assembléias litúrgicas.
LEVIATÃ – Grande animal aquático, monstro do caos e símbolo do Egito (Jó 40,15-20; Sl 74,14; Is 27,1); seu aniquilamento será o triunfo de Deus.
LEVITA - Membro da tribo de Levi designado para o sacerdócio.
LEVIRATO – Lei que obrigava o casamento da viúva sem filhoscom o cunhado, o irmão de seu falecido marido (cf. Dt 25,5-10; Mt 22,23-33) para manter a herança no âmbito da família.
LEVÍTICO – Terceiro livro do Pentateuco. Em sua maior parte trata de assuntos relacionados ao culto e às leis rituais.
LIMBO – Falava-se do limbo como lugar para onde iam os justos AT até a vinda de Cristo e destinado às crianças mortas sem batismo. Hoje, a teologia considera que as crianças que morrem sem o batismo não ficam privadas da visão e gozo de Deus no céu.
LITURGIA – Nome de origem grega, significa “serviço prestado ao povo”, culto comunitário. Ação sagrada, ordem e forma para a celebração dos ofícios divinos, pela qual os cristãos louvam a Deus e são santificados por Ele, em Cristo, através dos ritos.
LITURGIA DA PALAVRA – É a primeira parte das celebrações sacramentais (batismo, missa, matrimônio...) que contém leituras bíblicas, cantos e homilias. Distingue-se da Celebração da Palavra.
LOUVOR – É parte essencial do culto a Deus que deve ser exaltado em sua grandeza ou em suas ações e proclamado pelos cristãos.
LÚCIFER – Portador de luz, é outro nome dado ao diabo ou satã (Lc 10,18).
LUTERO – Monge agostiniano, teólogo que desencadeou a Reforma Protestante, em 1517.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

CONHECENDO A BÍBLIA


O amor a Deus começa com o amor à vida. A Bíblia é o grande livro do amor a Deus e à vida. O catequizando deve Ter a Bíblia na mão para beber dessa fonte. Os catequistas são ministros da Palavra. Eles vão apresentar a Bíblia aos catequizandos. O verdadeiro catequista tem gosto pela Bíblia e gosto em anunciar a Palavra de Deus.

O QUE É BÍBLIA?
A Bíblia é o nosso livro sagrado. Nela, deus revela um rosto de Pai e Mãe, amigo e companheiro, mas também firme na defesa dos pequenos.
A Bíblia é sagrada não só para nós, cristãos, mas também para os judeus. Outros grupos religiosos também amam e leêm muito a Bíblia.
Cada religião tem seu livro sagrado, o álbum onde vê o rosto de Deus. Os muçulmanos, por exemplo, Têm o Alcorão, os mormóns têm o Livro dos Mormóns, os hindus têm os Vedas, etc.
A Bíblia é mais que um livro. É uma coleção de livros reunidos num único volume. Eles contêm a história, a sabedoria e a oração de um povo que aprendeu reconhecer o rosto de Deus na vida. Os livros da Bíblia estão organizados em duas partes: o Antigo Testamento (ou Primeira Aliança) e o Novo Testamento (ou Nova Aliança).

MEXENDO NO TESOURO DO:
ANTIGO TESTAMENTO
O AT (Antigo Testamento) é a primeira e maior parte da Bíblia. Contém 46 livros. Eles estão agrupados em quatro partes menores:
Pentateuco (5 livros): o principal assunto é a formação do povo hebreu, desde as origens da humanidade até o momento da Aliança com Deus. Ë composto pelos livros do Gênesis(origens), Êxodo(saída), Levítico(leis), Números(censo) e Deuteronômio(segunda lei). Como o nome já diz Penta = cinco, Teuco = livro.
Livros Históricos (16 livros): falam sobre a vivência da Aliança na história do povo, os erros do passado e os projetos para o futuro. São eles: Josué, Juízes, Ruth, I e II Samuel, I e II Reis, I e II Crônicas, Esdras, Neemias, Tobias, Judite, Ester, I e II Macabeus.
Livros Sapienciais ou Didáticos (7 livros): são poemas, orações, hinos, reflexões e ditos populares que revelam a sabedoria adquirida pelo povo na busca da felicidade. Os livros são: Jó, Salmos, Provérbios, Eclesiástes, Cântico dos Cânticos, Sabedoria e Eclesiástico.
Livros Proféticos (18 livros): os profetas vivenciam os acontecimentos e apontam as infidelidades do povo ao projeto de Deus, chamando à conversão. São divididos em duas partes devido à quantidade de escritos deixados pelo profeta: profetas maiores – Isaías, Jeremias, Ezequiel, e Daniel; profetas menores: Amós, Oséias, Joel, Naum, Habacuc, Sofonias, Ageu, Zacarias, Malaquias, Baruc, Lamentações.

NOVO TESTAMENTO
O NT (Novo Testamento) contém 27 livros nascidos da experiência com Jesus ressuscitado feita pelas primeiras comunidades:
Evangelhos (4 livros): contam a experiência dos discípulos com Jesus de Nazaré, o anúncio da Boa Notícia de Reino, bem como a morte e ressurreição de Jesus, escrito segundo a ótica das comunidades de Mateus, Marcos, Lucas e João.
Atos dos Apóstolos (1 livro): Relatam fatos da vivência do Evangelho de Jesus Cristo nas primeiras comunidades, escrito pela mesma comunidade que escreveu o Evangelho segundo Lucas.
Cartas Paulinas (13 cartas): coleção escrita pelo apóstolo Paulo e por discípulos dele, visando responder a problemas bem concretos das comunidades. As cartas são: aos Romanos, 1a. e 2a. aos Coríntios, aos Gálatas, aos Efésios, aos Filipenses, aos Colossenses, 1a. e 2a. aos Tessalonicenses, 1a. e 2a. à Timóteo, à Tito e à Filemôn.
Carta aos Hebreus (1 livro): um texto catequético que aprofunda a identidade de Jesus e sua missão.
Cartas Católicas (7 livros): endereçadas as comunidades em geral para ajudá-las a viver melhor a sua fé no Deus de Jesus. Católica é uma palavra que quer dizer universal. São elas: 1a. e 2a. de Pedro; 1a. ,2a. e 3a. de João, de Tiago e de Judas.
Apocalipse (1 livro): uma reflexão crítica sobre a época das primeiras comunidades escrita em linguagem simbólica para despistar os perseguidores.

COMO FOI ESCRITA A BÍBLIA
A Bíblia foi escrita ao longo de mais de mil anos! No começo (mais ou menos 1200 anos antes de Cristo), as histórias do povo eram contadas de pai para filhos, em casa ou nos santuários onde iam, em romaria, rezar e repartir os bens com os pobres.
Mais ou menos mil anos a.C. (antes de Cristo), o povo começou a escrever essas histórias em folhas de papiros (um tipo de papel) e pergaminho (couro seco de ovelha). O objetivo era preservar bem na memória a revelação de Deus na vida do povo.
Por fim, no século I depois de Cristo, os primeiros cristãos escreveram sua experiência com Jesus de Nazaré. A Bíblia foi terminada por volta do ano 100 d.C. (depois de Cristo).

A VOZ DO POVO É A VOZ DE DEUS
Cada livro bíblico nasceu da mão do povo na busca da paz. Esses livros estavam no plano de Deus. Eram instrumentos queridos por Ele para ajudar o povo em sua busca.
Todo projeto humano a favor da vida nasce do coração do próprio Deus. Cada palavra de vida é inspirada por Ele. Todo projeto de morte não é inspirado por Deus e não conta com a sua colaboração.
Os livros da Bíblia são inspirados por Deus por que trazem projetos de vida. São sagrados e devem ser estudados, meditados e levados à prática.
Muitos outros livros nasceram da vivência do povo de Deus. Por que apenas 73 deles estão na Bíblia?
Imaginem se vocês passassem a vida viajando, como o povo cigano. O que iriam levar na mochila? Claro, apenas os objetos indispensáveis para viver bem.
O povo de deus fazia a viagem da vida e percebeu que não dava para carregar na mochila do coração todos os livros já escritos. Por isso, num certo momento resolveu sentar e escolher os livros mais importantes, ou seja, aqueles inspirados por Deus.
A lista dos livros bíblicos chama-se cânon. Só entraram no cânon os livros inspirados. O povo foi percebendo durante a caminhada que esses livros nasceram no coração de Deus.

EM QUE LÍNGUAS A BÍBLIA FOI ESCRITA
Os primeiros textos foram escritos em hebraico, língua falada pelos hebreus.
Por volta de 300 a.C., o grego estava sendo falado em todo canto. Na terra da Bíblia nem se falava mais o hebraico, mas o aramaico.
Foi preciso traduzir o AT para o grego. Na tradução foram incluídos sete livros escritos originalmente em grego ou aramaico, chamados deuterocanônicos (que quer dizer segunda lista). São: Tobias, Judite, Sabedoria, Eclesiástico, I e II Macabeus e Baruc.
Muitos judeus da época não aceitaram a tradução. Hoje, eles só consideram sagrados os livros escritos originalmente em hebraico. Eles não aceitam os deuterocanônicos como livros sagrados.
Os primeiros cristãos entendiam melhor o grego e aceitaram a tradução. Acolheram também os livros deuterocanônicos como Palavra de Deus.

UMA SÓ BÍBLIA, UMA SÓ FÉ
Será que a Bíblia dos evangélicos ou crentes é diferente da Bíblia dos católicos?
Não! É a mesma Palavra de Deus, com o mesmo conteúdo. No entanto, há uma pequena diferença no cânon ou lista que os dois grupos adotaram.
Enquanto o cânon evangélico tem 66 livros, o cânon católico tem 73. Os evangélicos não adotam os sete livros deuterocanônicos. Assim também fazem os judeus.
Já em relação ao NT não há qualquer diferença: católicos e evangélicos aceitam os mesmos 27 livros. Os judeus não reconhecem Jesus como Senhor, por isso ficam apenas com os livros do AT.
O grande sonho de Deus é que todos os povos vivam unidos em torno do Reino. Superamos as diferenças quando somos fiéis à vida e ao Deus da Bíblia.
Fonte: Folheto Ecoando 2 - formação interativa com catequistas - Editora Paulus

VOCABULÁRIO BÁSICO DO CATEQUISTA - LETRA K



O objetivo deste vocabulário é oferecer explicações mais simples de palavras religiosas mais comuns, necessárias para o conhecimento e formação dos catequistas.


KAIRÓS – Tempo ou ocasião de graça que Deus oferece ao homem. Para os cristãos, relaciona-se com a vinda histórica de Cristo e com a sua segunda vinda.
KERIGMA – Termo grego utilizado nas primeiras comunidades cristãs para indicar o anúncio da Boa Notícia do Evangelho.
KIRIE ELEISON – Expressão grega que significa”Senhor, tende piedade de nós” rezada pelo sacerdote ou cantada pelos participantes nas celebrações.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

VOCABULÁRIO BÁSICO DO CATEQUISTA - LETRA J


O objetivo deste vocabulário é oferecer explicações mais simples de palavras religiosas mais comuns, necessárias para o conhecimento e formação dos catequistas.


JAVÉ – Nome de Deus mencionado na Bíblia e assumido pelo povo israelita na oração e no culto. É composto de 4 letras: YHWV. Encontramos a sua significação em Ex 3,13-15; 34,6s.
JEJUM - Abstenção voluntária de alimentos. No judaísmo é praticado com fins espirituais, em sinal de arrependimento ou luto, ou para pedir a assistência divina. No cristianismo, o jejum é um gesto de penitência e busca da conversão do homem a Deus.
JERUSALÉM – Cidade santa, centro religioso e espiritual das religiões judaica, cristã e islâmica. JESUS – Em hebraico Yeshua e significa “Javé é a salvação” ou “Javé salva”. Nasceu em Belém (Judéia, na Palestina), viveu em Nazaré (Galiléia), foi morto em Jerusalém, por volta do ano 30 de nossa era.
JUBILEU – Em hebraico, Yobel é o toque de uma trombeta feita com chifre de carneiro. De 50 em 50 anos, ao som deste toque, celebrava-se com alegria um ano santo que libertava os escravos, os devedores e os pobres (cf. Lv 25,8-10).
JUDAÍSMO – Inicia com Abraão que aceita um Deus único e verdadeiro e continua com Moisés, que recebeu de Deus os 1º Mandamentos. Estes e o Pentateuco (Torá) são considerados a base do judaísmo.
JUDEUS - Nome, que no início designava apenas os descendentes de Judá, filho de Jacó. Os hebreus, ao voltarem do cativeiro da Babilônia foram localizar-se no sul da Palestina, conhecida por Judéia, daí foram chamados de judeus.
JUÍZO FINAL – Doutrina sustentada pelo cristianismo e pelo islamismo, que afirma a sua realização, no final dos tempos, depois da ressurreição, na decisão sobre o destino eterno dos homens.
JUSTIÇA – Nas religiões monoteístas, principalmente as bíblicas, significa a relação entre Deus e os homens. Deus é justo, porque é santo e digno. Quem aceita o plano de Deus passa a ser também justo.

CHAVES DA BÍBLIA


No coração da Bíblia, há cinco chaves que nos ajudam a entender melhor a Palavra de Deus. São cinco chaves que abrem o tesouro da Bíblia. Procurem na Bíblia os textos citados e leiam com atenção.
1- DEUS FALA PELA VIDA
A Bíblia traz a mensagem de Deus para as pessoas. Ele tem falado em todas as épocas e de diversas maneiras: pelos fatos da vida do povo de Deus, por atitudes humanas e, pessoalmente, em Jesus Cristo (leiam Hb 1, 1-2).
Deus tem um recado para nós. Ele fala ao coração de cada pessoa usando a linguagem da vida. Deus é revelado pelo testemunho de vida de quem vive na justiça e no amor.
A Bíblia nos ajuda a refletir sobre os fatos da vida Sl 77(78), 1-4. Os fatos são as palavras que Deus usa para se comunicar conosco.
Para entender bem o recado, é preciso conhecer profundamente a vida. Observando a vida, a gente se torna capaz de ouvir e responder ao chamado de Deus(Hb 2,1).
Primeiro, Deus fala pela vida do povo. Em seguida o povo conta e reconta como descobriu Deus na vida. Só depois é que esses fatos são escritos, para ajudar a memória e para ensinar aos filhos e netos quem é o Deus da vida.
Quando os fatos da vida viram texto escrito, não podemos esquecer da vida que veio antes do texto. Deus falou primeiro na vida! Ler o texto e esquecer da vida é o mesmo que ler uma receita e esquecer de preparar a comida.
A comida é uma ajuda para preparar a comida que mata a fome! Do mesmo modo, só a Palavra escrita não revela Deus. Ela precisa ser entendida e praticada hoje (Mt 7,24-25).

2- DEUS É PAI E MÃE
Deus nos fala por que quer fazer amizade conosco. Ele quer ficar perto de nós, ajudando quando é necessário. Estamos perto de Deus quando sentimos que Ele é nosso Pai e os outros são nossos irmãos (Mc 3,34).
Deus é Pai e Mãe de todos e jamais esquece de alguém (Is 49, 14-15). Muitos se acham filhos privilegiados de Deus, mais abençoados que outros (Lc 18,11). Será que isso é possível? A mãe de muitos filhos ama a todos igualmente. Dá sua própria vida por cada um deles, se preciso, Jesus Cristo deu sua própria vida para que todos tivessem vida em abundância.
Mas, se entre os filhos houver um que necessite mais de seus cuidados, a mãe se dedica mais a esse, mesmo sem descuidar dos outros.
Deus ama a todos os seus filhos sem diferença. Como Pai e Mãe, cuida atentamente de cada filho e filha. Mas há aqueles que precisam mais da ação de Deus em seu favor.
A preferência de Deus é pelos enfraquecidos, os que mais precisam de seu apoio Sl 33(34), 7; Lc 4, 18-19.
Por isso dizemos que Deus Pai faz opção preferencial pelos pobres e excluídos. Essa chave abre o coração de toda a Bíblia.

3- DEUS OUVE O GRITO DO POBRE
Os preferidos de Deus são todos os que sofrem injustiça e opressão, em todas as épocas (Ex 3,7; Am 2,6-8; Tg 2,5-6). Nos tempos da Bíblia, os preferidos eram as viúvas, os órfãos, os sem-terra, os doentes, os marginalizados, etc.
Na Bíblia, a palavra pobre se refere a todas as pessoas sem recursos materiais, trabalho ou garantias de vida (Jó 24,2-12; Lc 6,20). Hoje, usamos a palavra excluído.
Numa sociedade cheia de desigualdade e injustiça, não é difícil perceber quem são os preferidos de Deus. São todos aqueles que a sociedade usa e depois despreza: os doentes, os pecadores, os desempregados, os idosos, as prostituídas, os sem-teto...
Toda a ação de Jesus foi em favor dos excluídos de sua época (Mt 11,1-6). Seus discípulos organizaram comunidades à serviço dos pobres (Gl 2,10). Deus age em favor de seus filhos injustiçados através de seus filhos conscientizados (Mc 5,20; Lc 19,8; At 2,44-45).
Nós somos as mãos de Jesus, aqui e agora. Cabe-nos consolar os pobres e acabar com a miséria e a injustiça que tantos irmão excluídos sofrem.

4- DEUS NOS CHAMA À CONVERSÃO
Deus criou um mundo onde há lugar para todos. Somos colaboradores da obra de Deus. Essa mensagem também está no centro da Bíblia.
Somos semelhantes a Deus. Como Ele, somos livres para viver a vida do jeito que quisermos e assumir a responsabilidade pelos nossos atos (Gn 1,26-27).
A pessoa sai das mãos de Deus incompleta. Durante sua vida, vai completar a si mesma. Essa é a diferença que existe entre o ser humano e as outras criaturas de Deus .
Enquanto as outras criaturas nascem, vivem e morrem como manda a natureza, o ser humano é chamado a fazer escolhas e tomar decisões. Ele pode escolher a vida ou a morte, a felicidade ou a infelicidade (Dt 30,15).
Para completar a si mesma, a pessoa precisa da liberdade. Ser livre é ser capaz de construir a própria história. Deus nos ama e nos faz livre para amar.
Oprimir é tirar a liberdade das pessoas. Ë a ação que vai contra todo o projeto amoroso de Deus. A Bíblia conta como o povo de Deus, no decorrer de sua história, enfrentou opressão de todo tipo.
Contra a opressão, o único remédio é a conversão (MT 3,2). Conversão é mudar de vida , do egoísmo e do individualismo para a liberdade e o amor aos irmãos.
Na vida fraterna, não há opressão de um sobre o outro. Todos são iguais e se completam mutuamente, na busca do bem comum. Não há Reino de Deus sem mudança de vida e sem transformação da sociedade.

5-DEUS É AMOR
Deus fala pela vida. Como Pai e Mãe, ouve o grito do pobre e nos chama a mudar de vida, socorrer os excluídos e construir uma sociedade mais justa e mais feliz.
Vendo tudo isso, o povo da Bíblia percebeu que Deus é amor (Sl 118(117),1-4); 1Jo 4,8). Jesus afirmou que o recado central da Bíblia é o mandamento do amor (Jo 15,12-13).
A Palavra de Deus é dita na vida. Só podemos dizer que Deus é amor quando amarmos concretamente nossos irmãos. Então, a palavra-falada-e-escrita vai voltar a ser palavra-fato-da-vida!
A GRANDE CHAVE É O AMOR. SÓ ENTENDE A PALAVRA DE DEUS QUEM AMA NO DIA-A-DIA!


Fonte: Folheto Ecoando 1 - formação interativa com catequistas - Editora Paulus

sábado, 22 de novembro de 2008

O QUE NÃO É SER CATEQUISTA?


Devemos ter atenção para não adotarmos os contra-valores e atitudes negativas, na catequese, tais como:
1- Catequizar apenas para receber sacramentos.
2- Organizar a catequese como “aulas”, professores e alunos.
3- Ter encontros só de doutrinação.
4- Ter pouco acolhimento.
5- Excluir a participação em equipe.
6- Ter pouca criatividade.
7- Prejudicar as necessárias informações por falta de comunicação.
8- Ser dispersivo e inconstante.
9- Improvisar, ter superficialidade, não preparando adequadamente os encontros.
10- Dar pouco testemunho cristão, não participando da Celebração da Eucaristia e dos outros sacramentos.

Nesse encontro reflitamos nos pontos positivos “do ser catequista” para descobrirmos que, se não procurarmos crescer na qualidade em nossa missão, ela não terá êxito e não nos deixará felizes.
Às vezes é fraco o desempenho da catequese em nossas comunidades porque investem em outras pastorais e serviços e pouco ou quase nada no treinamento e formação dos catequistas. Na catequese renovada é necessário adotar novos valores e atitudes.
Às vezes usamos alguns provérbios populares para justificar as nossas atitudes negativas, tais como:
Errar é humano – dizemos que é o Espírito Santo quem fala e age por nós, por isso, não há necessidade de formação. Este provérbio cria dentro de nós justificativas para erros e falhas nascidas de nossas acomodações.
Casa de ferreiro, espeto de pau – Muitas vezes nos esquecemos dos dons que Deus nos dá ou não os colocamos na prática. Casa de ferreiro deve ter espeto de ferro!
Santo de casa não faz milagres – Quando usamos este provérbio não reconhecemos os dons das pessoas na comunidade. Elas são capazes de transformar a realidade e solucionar os problemas do dia-a-dia na catequese.
Sugestão: procurem encontrar outros provérbios populares e reflitam com os catequistas.




Apesar destas deficiências na missão o catequista deve procurar investir em:
1- Acolhimento – ao receber os catequizandos e suas famílias, procurar conhecer suas dificuldades e anseios. Valorizar sempre todas as pessoas.
2- Alegria – demonstrar satisfação e animação pela catequese. A catequese nos faz comunicar o Evangelho com vibração, entusiasmo, vivacidade, alegria pelo Reino de Deus, na certeza que Deus nos ama.
3- Bom relacionamento – entre as pessoas para que haja ajuda mútua.
4- Trabalho em equipe – participar dos encontros de formação, planejamento e avaliação.
5- Compromisso comunitário – dar atenção aos problemas sociais da comunidade.
6- Firmeza e perseverança – para não ser catequista descartável.
7- Organização e pontualidade – nos encontros catequéticos.
8- Técnicas – para sair da rotina, buscando aperfeiçoamento contínuo, com criatividade.
9- Motivação da fé – nunca desanimar por maiores que sejam as dificuldades, lembrando que somos chamados a uma grande missão.
10- Solidariedade – com as pessoas mais necessitadas.
11- Pastoral familiar – procurar maior aproximação com as famílias, realizando periodicamente encontros com os pais dos catequizandos.
12- Participação – às celebrações e aos sacramentos.
13- Testemunho – de vivência cristã em comunidade.

· Qual é o resultado de um bom acolhimento aos catequizandos, famílias, catequistas e comunidade?Como evitar aspectos negativos e criar situações positivas para enriquecer a catequese?


Fonte: Folheto Ecoando 11- formação interativa com catequistas - Editora Paulus

VOCABULÁRIO BÁSICO DO CATEQUISTA - LETRA I


O objetivo deste vocabulário é oferecer explicações mais simples de palavras religiosas mais comuns, necessárias para o conhecimento e formação dos catequistas.


ÍCONE – Imagem religiosa usada nas Igrejas orientais. Simboliza a realidade divina e serve de ponto de referência para a meditação.
IDOLATRIA – Adoração aos ídolos ou falsas divindades.
ÍDOLO – Figura representativa de divindade pagãs. Hoje, para muitos, o dinheiro, a glória, o poder, o sexo e demais prazeres são verdadeiros ídolos, pois colocam neles sua salvação e felicidade.
IGREJA – Em grego Eklesia que significa a comunidade cristã local ou universal reunida.
IGREJAS IRMÃS – Projeto entre Dioceses para prestar serviços de colaboração pastoral, incluindo ajuda financeira.
IMACULADA CONCEIÇÃO – Dogma que declara a isenção da Virgem Maria do pecado original. Foi definido pelo Papa Pio IX, em 1854.
IMORTALIDADE – É o privilégio de não morrer que o homem recebe como dom de Deus. Embora o homem experimente a morte, a fé cristã nos dá certeza de que a vida não termina, mas se transforma em outra diferente e plena, que chamamos de vida eterna.
IMPOSIÇÃO DAS MÃOS – Um dos gestos litúrgicos mais densos de significação que o cristianismo recebeu do judaísmo (Cf. Nm 27,18; Dt 34,9).
IMPRIMATUR – Permissão concedida pela autoridade religiosa para imprimir textos referentes à doutrina da Igreja.
INCENSO – Resina aromática que é queimada nos atos rituais de muitas religiões. O erguer-se da fumaça exprime a manifestação da nossa oração que deve subir até Deus (cf. Sl 141,2). É uma catequese visual para os participantes, inspirando piedade, silêncio e contemplação dos mistérios de Deus.
INCULTURAÇÃO DO EVANGELHO – É a passagem de valores do Evangelho para dentro de uma cultura purificando-a, sem a oprimir.
INDULGÊNCIA – significa compaixão, piedade. Indica o perdão da penitência pública imposta pela Igreja por um determinado período. É plenária quando perdoa a totalidade das penas temporais e parcial quando perdoa somente uma parte das penas.
INFABILIDADE – Para a Igreja, é o privilégio atribuído ao Papa conforme a definição dogmática do Concílio Vaticano I, em 1869, de não errar em matéria de fé e de moral, quando pronuncia oficialmente um dogma a toda Igreja universal.
INFERNO – A crença no inferno, como local de castigo para os condenados às penas eternas é comum às diversas religiões. No NT, este lugar tem o nome de Geena, fogo que nunca se apaga, lugar de choro e ranger de dentes, como que para indicar o afastamento eterno do amor de Deus e o sofrimento por causa do pecado.
INICIAÇÃO CRISTÃ – Processo da aceitação de Cristo, iniciando na totalidade da vida cristã: conhecimentos, vida evangélica, oração, celebração e compromisso com o projeto de Deus. No início da Igreja, este processo se chamou de catecumenato. No final dessa iniciação os catecúmenos recebiam três sacramentos: Batismo, Confirmação e Eucaristia.
INQUISIÇÃO – Tribunal eclesiástico, da época medieval, encarregado de manter a verdade da fé para evitar heresias. A inquisição foi apoiada pelo poder civil para castigar, com penas físicas, os desvios da fé dos cristãos. Esta história é um dos acontecimentos mais tristes da Igreja.
IRMÃOS DE JESUS – O NT usa, algumas vezes, a expressão “irmãos de Jesus” para indicar seus parentes mais próximos, sobretudo primos. Tanto o hebraico como o aramaico, por causa da pobreza do vocabulário, dá aos parentes próximos o título de irmãos.
ISRAEL – Nome dado a Jacó e aos seus descendentes, depois de ter lutado com Deus.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

VOCABULÁRIO BÁSICO DO CATEQUISTA - LETRA H


O objetivo deste vocabulário é oferecer explicações mais simples de palavras religiosas mais comuns, necessárias para o conhecimento e formação dos catequistas.


HAGIÓGRAFOS – Em grego = escritores sagrados. Aplica-se aos autores dos livros da Bíblia.
HEBRAICO – Língua dos cananeus e, até o exílio babilônico, dos israelitas. Depois foi suplantado, no uso comum, pelo aramaico.
HEBREUS – Nome pelo qual as nações designavam os filhos de Israel: Os descendentes de Abraão, Isaac e Jacó: os israelitas.
HELENISTA – Pessoas de fala grega. Alguns judeus dos primeiros cristãos eram chamados de helenistas porque falavam grego.
HEREGE – São considerados os que negam e se afastam da doutrina ensinada pela Igreja.
HERESIA – Termo grego com significado de ruptura, separação. As heresias e os hereges aparecem na Igreja primitiva.
HERMENÊUTICA – Estudo que ensina como interpretar os textos bíblicos e como aplicá-los corretamente.
HIERARQUIA – Termo com que se conhecem e distinguem as funções e graus dos membros de uma comunidade ou religião.
HIPERDULIA – Culto a Virgem Maria.
HISSOPO – Planta usada em algumas cerimônias israelitas, nas aspersões com água nos ritos purificatórios (cf. Ex 12,22). Passou a designar o instrumento empregado na Igreja católica para o mesmo fim.
HOLOCAUSTO – Sacrifício de uma animal com derramamento de sangue e através do fogo para indicar sua total consagração a Deus. No AT era oferecido pela manhã e pela tarde no Templo de Jerusalém.
HOMILIA – É a explicação da Palavra de Deus, especialmente no Evangelho, com o objetivo de relacionar o texto com a vida dos cristãos.
HOSANA – Exclamação hebraica, grito de aclamação semelhante ao “viva” popular. Aclamação que foi dirigida a Jesus pela multidão, na sua entrada em Jerusalém (Mt 21,9).
HÓSTIA – Massa de trigo consagrada pelo sacerdote na missa e distribuída aos fiéis na comunhão. Na Igreja latina, diferente da Igreja grega, o pão da hóstia é sem fermento.

SINAL DO REINO ENTRE NÓS


O QUE ENTENDEMOS POR “REINO DE DEUS”?
Esta expressão aparece mais de cem vezes nos evangelhos.
É necessário entender porque Jesus falava sobre o Reino. Na época de Jesus, existiam reis, reinos, reinados. O rei tinha poder absoluto sobre o povo e dizia que seu poder vinha diretamente de Deus.
Assim como hoje nós desejamos que o Brasil tenha um regime político mais justo, os judeus também aspiravam por um novo rei, na esperança de mudar o poder.
Por exemplo: quando se falava do Reino de Deus no tempo do reino de César, significava a negação do poder de César.

Onde está o Reino de Deus ou o Reino dos Céus?
Muita gente ainda pensa que o Reino dos Céus é só depois da nossa morte.
O Reino que Jesus revelava e queria que se realizasse era o Projeto do Pai de salvar e libertar toda a humanidade trazendo-lhe felicidade plena. Projeto que consiste na vivência da justiça, da fraternidade, da liberdade, da paz, do serviço, da alegria e da fé.
Foi muito difícil entender que tipo de reinado Jesus estava anunciando e prometendo. Depois da vinda do Espírito Santo os seguidores de Jesus perceberam o que era a Boa Notícia do Reino.
Para que os seus discípulos e o povo entendessem a Boa Notícia, Jesus lhes falava por meio de parábolas.
As parábolas foram o meio que Jesus escolheu para falar sobre as maravilhas de Deus e de seu Reino.
Há no evangelho algumas dezenas de parábolas que visam explicar esse Reino que a pessoa deve despertar e desenvolver dentro de si.
O povo não entendia o que na realidade era esse Reino. Jesus falava dele através de comparações e analogias.
Dizia só o que era semelhante a esse reino... “semelhante a um grão de mostarda” (Mt 13,31-32)... “a uma mulher que põe um pouco de fermento na massa” (Mt 13,33)... “a um comprado que procura pérolas preciosas” (Mt 13,45-46)... “a uma rede lançada ao mar” (Mt 13, 47-50)... “a um tesouro escondido” (Mt 13,44).
Jesus afirmou que o Reino de Deus não tem o mesmo sentido de um reinado dominante, de um modelo político que assume o poder numa sociedade onde há mordomias, súditos, privilégios. O Reino de Deus não é algo que vem de fora. O Reino de Deus está dentro de nós, entre nós, como uma semente. Esse Reino de Deus existe em todas as pessoas; mas, na maior parte está dormente, em fase embrionária. Muitos não sabem que o Reino é uma maneira de viver. Compete aos catequistas despertar nos corações dos catequizandos a existência dessa semente do Reino para que cresça no mundo a Vida: a justiça, o amor e a liberdade.
Viver o Reino de Deus, aqui e agora, significa uma contínua conversão, uma mudança de vida: “O Reino de Deus está próximo. Convertam-se e acreditem na Boa Notícia” (Mc 1,15).
A Igreja é chamada a viver as exigências do Reino. A Igreja deve ser o modelo, a amostra do que é o Reino como Jesus propôs.

A IGREJA É SINAL E SACRAMENTO DO REINO

O Reino de Deus é mais amplo e abrangente do que a Igreja.
A Igreja está a serviço do Reino. Todas as pessoas, todos os povos que vivem os valores do Reino (paz, justiça, fraternidade, partilha...) pertencem ao Reino de Deus.
Como catequistas estamos a serviço do Reino, que é crer e vivenciar o que aprendemos pela fé. É viver o amor de Deus em união com os irmãos.

· Ler o capítulo 13 de Mateus, descobrindo e partilhando no grupo as comparações do Reino de Deus.
· Como podemos anunciar isto aos catequizandos e ser sinal do reino de Deus de forma clara e convincente?


Fonte - Folheto Ecoando 10 - formação interativa com catequistas - Editora Paulus

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

VOCABULÁRIO BÁSICO DO CATEQUISTA - LETRA G


O objetivo deste vocabulário é oferecer explicações mais simples de palavras religiosas mais comuns, necessárias para o conhecimento e formação dos catequistas.


GALHETAS – Duas jarras pequenas de vidro, onde se coloca água e vinho, para serem usados na celebração eucarística.
GEENA – Era um vale, lugar onde se queimava o lixo da cidade. O fogo que ardia continuamente nessa grande lixeira passou a ser o símbolo do castigo dos maus.
GENEALOGIA – Quadro de antepassados de uma pessoa ou família. Encontramos essas genealogias, freqüentemente, na Bíblia. Mateus apresenta a genealogia de Jesus centraliza na descendência de Davi (cf. Mt 1,1-17) e Lucas salienta que Jesus é descendente de Adão (cf. Lc 3,23-38) – Jesus é o segundo Adão que salva a humanidade.
GÊNEROS LITERÁRIOS – São os recursos bíblicos que apresentam as formas de expressão comuns entre as pessoas de uma época ou cultura, onde se explica sua maneira de ser, pensar e agir.
GENTIOS – Palavra de origem latina que significa pagão ou idólatra; eram os que não pertenciam à religião judaica. Os romanos a usavam para designar os que não eram romanos. Nos tempos cristãos este termo significava os não-batizados.
GENUFLEXÃO – Gesto de dobrar um dos joelhos, ao entrar na Igreja, diante do sacrário e do Santíssimo Sacramento.
GLÓRIA – Para os hebreus estava associada a Javé enquanto se revela em sua majestade e em seu poder. É o louvor às três pessoas da Santíssima Trindade. No NT está ligado à pessoa de Cristo, Filho de Deus, Senhor da Glória.
GOËL – Em hebraico, quer dizer: o parente próximo que, na falta do pai deve assumir a família (cf Lv 25,47; Rt 2,20; 3,13).
GRAÇA – Favor, bondade. A Bíblia geralmente usa esta palavra para descrever o amor de Deus para com as pessoas. É o favor especial de Deus que torna possível as pessoas serem salvas do pecado. Dom gratuito da salvação; o perdão de Deus (cf. Ef 2,8).

EDUCAÇÃO CONTÍNUA DA FÉ


Dentro da pastoral, a catequese adquire cada dia maior importância e extensão: trata-se de uma catequese contínua que dura por toda a vida dos cristãos.
É necessária uma educação permanente da fé que acompanhe o homem por toda vida, em seu crescimento integral.
A catequese não tem a função de “passar” aos outros um conjunto de verdades definidas. Não se trata de dar fórmulas prontas. A catequese deve possibilitar uma autêntica experiência de vida e de fé dentro de uma comunidade.
Por isso, a catequese não pode ser um ato isolado na vida dos catequizandos que, em geral, são aqueles que se preparam para receber a primeira Eucaristia ou a Crisma. Durante muito tempo a catequese se limitou a preparação imediata aos sacramentos, numa linha quase que exclusivamente doutrinária.

CATEQUESE SÓ PARA RECEBER SACRAMENTOS?
A formação dos catequizandos é dinâmica, porque são dinâmicos os novos valores, os métodos originais, os conhecimentos atuais, o progresso da técnica, a vida que caminha e interroga, o caminhar da Igreja e da catequese, exigindo reflexão e compromisso.
Além destas características a catequese deve apresentar propostas aos problemas concretos da vida, de acordo com a faixa etária dos catequizandos para levá-los ao engajamento na comunidade, numa vivência de fé, aderindo cada vez mais a Jesus Cristo.

Por que uma educação contínua da fé?
Porque a educação contínua e sistemática da fé propõe elementos indispensáveis, como:
· O crescimento explicito na fé centrada em Cristo;
· A re-leitura da realidade;
· O aprofundamento bíblico que leva à vivência evangélica;
· A participação na comunidade, exigindo compromisso social;
· O crescimento da descoberta dos valores humanos, fazendo história, numa linha libertadora;
· A educação para a celebração da fé na liturgia, capacitando para o testemunho de vida.
No processo de educação contínua da fé, tanto na família como nas diversas pastorais da comunidade cristã, as pessoas (crianças, jovens e adultos) aprenderão:
· O sentido do mistério, o gosto pela oração e pelo silêncio;
· A ter senso crítico diante de uma sociedade que da valor àquilo que não tem valor;
· A confrontar a própria vida com a mensagem evangélica, manifestando sua fé com suas palavras e atitudes.
Catequizar não é só ajudar as pessoas a crerem em Jesus Cristo, mas a percorrerem juntos o mesmo caminho que leva à vida plena. A comunidade catequizadora deve acompanhar o caminho dos cristãos, nas diversas faixas etárias, para, juntos, crescerem na fé.
Um dos grandes desafios na catequese, hoje, de modo especial na catequese urbana, é a perseverança e a participação dos catequizandos na comunidade cristã, como exigência de crescimento da fé. Devemos nos preocupar quando muitos dos que se preparam para a primeira Eucaristia ou para o sacramento da Crisma não se sentem motivados a essa educação contínua da fé.

· Refletir que: “O adulto não é um crescido na fé, é um crescente”. Por quê?
· Estamos convencidos que a catequese não é só ensinamento doutrinal? E quais são, então, os elementos importantes que caracterizam, hoje, a catequese?


Fonte: Folheto Ecoando 9 - formação interativa com catequista - Editora Paulus

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

À LUZ DA VIDA, À LUZ DA BÍBLIA


Para iniciarmos este tema tão importante, comecemos com o seguinte questionamento:
· Como a Bíblia está presente na catequese de sua comunidade? Muito presente? Pouco presente?

A Bíblia ocupa um lugar especial na catequese. Pois esta tem como tarefa importante a iniciação bíblica do catequizando. A catequese deve colocá-lo em contato com a Palavra de Deus, para encontrar nela a força na caminhada de sua vida, no crescimento de sua fé.
Muitas vezes, na catequese, há maior preocupação com a doutrina a ser transmitida aos catequizandos do que com a vivência da Palavra de Deus.
A Palavra de Deus é de fato anunciada aos catequizandos quando ajuda a clarear o Projeto de Deus para nós, hoje. Como?
1- Procurando comparar a Palavra de Deus com a REALIDADE em que vivemos. A situação de vida do povo é sempre o “chão” da leitura bíblica. Recorrer a Bíblia para iluminar o nosso hoje. Comparar as situações semelhantes do Povo de Deus com a nossa.
2- Todo texto da BÍBLIA deve ser aprofundado, levando em conta a situação do povo no tempo em que foi escrito, para iluminar a nossa situação hoje. O Estudo da Sagrada Escritura supõe tomar o Livro em nossas mãos e manejá-lo com muito gosto e interesse. O gosto pela Bíblia exige iniciação e prática.
AO CATEQUISTA CABE A TAREFA DE:
· dar uma introdução, levando o catequizando a ter conhecimento básico sobre a Bíblia e ensinar a manuseá-la;
· procurar que os catequizandos tenham conhecimento dos pontos importantes da História da Salvação;
· ajudar a confrontar a vida, seu comportamento, com a Palavra de Deus;
· esclarecer as dúvidas e dificuldades;
· despertar nos catequizandos o gosto pela Bíblia.
3- A Bíblia deve ser lida e refletida num grupo de fé e de oração, porque a Bíblia é o Livro da COMUNIDADE. A partir da comunidade o grupo vai se tornando, um grupo de amizade, de oração e de ação catequética.

Podemos comparar estes três elementos: Realidade – Bíblia – Comunidade com o tripé de uma mesa. Há necessidade dos três pezinhos para que a mesa fique firme.
A Bíblia na catequese pode ser usada com diferentes métodos. Um dos métodos é a leitura bíblica dos 4 LADOS. Este método ajuda a encarnar o texto bíblico numa realidade concreta.
Jesus viveu numa certa época, num país de determinada situação social – econômica – religiosa – política. Podemos analisar os textos bíblicos usando essa técnica que nos ajuda a unir a leitura bíblica com a realidade do povo da Bíblia.
Como era a situação da Palestina no tempo de Jesus?
Lado econômico: Como vivia o povo? O que comia? Quais os tipos de trabalho? O que produzia? Qual o salário? Quais os impostos? Quais eram os ricos e os pobres?
Lado social: Com quem Jesus se relacionava? Quais as classes de pessoas que existiam? Quais seus interesses?
Lado político: Quem estava no poder? Como o povo era organizado? Quais eram os partidos? Quais os conflitos?
Lado ideológico-religioso: O que as pessoas e os grupos sociais pensavam da vida? E da sociedade? O que pensavam da religião? Como praticavam a religião?
Lembremo-nos que o texto bíblico nunca é neutro; a partir de uma realidade há lutas, conflitos e esperanças.
Esse estudo ajuda a avaliar o método da leitura bíblica na nossa catequese. Que a luz da Palavra de Deus seja luz para a nossa vida.

· Como usar a Bíblia na catequese? Trocar experiências com o grupo de catequistas.
· Analise com o grupo o 1º capítulo do Evangelho de Marcos e procure descobrir os seus quatro lados: econômico – social – político – religioso.


Fonte: Folheto Ecoando 8 - formação interativa com catequistas - Editora Paulus

VOCABULÁRIO BÁSICO DO CATEQUISTA - LETRA F


O objetivo deste vocabulário é oferecer explicações mais simples de palavras religiosas mais comuns, necessárias para o conhecimento e formação dos catequistas.


FARAÓ – “Grande casa” no Egito. No século 15 a.C. passou a significar o próprio rei; era considerado como Deus.
FARISEU – Membro de um grupo religioso-político, leigo, no tempo de Jesus. Tinham influência sobre o povo porque conheciam e ensinavam as Escrituras. O termo fariseu significa “os separados”. No evangelho, os fariseus aparecem como observantes e mestres da lei. Adversários de Jesus, que os ataca duramente pelo seu orgulho, hipocrisia e a tendência de crer que a salvação só vem da lei de Moisés.
FÉ – É uma das três virtudes teologais (fé, esperança e caridade), fundamental para o cristão, que o leva a crer e a aderir ao Projeto de Deus, na pessoa de Jesus Cristo.
FÉRIA – No Calendário Litúrgico, dia da semana em que não se celebra festa especial.
FERMENTO – Em clima quente, comida que fermenta logo se estraga. Em sentido positivo, algo que faz crescer e no sentido negativo, algo que corrompe.
FESTAS – As festas encontram-se em todas as religiões. As festas se expressam pelos sinais da luz, canto, música, alegria, flores e velas acesas. Dias de celebração, descanso ou comemoração de um acontecimento importante. Deus instruiu os israelitas a manterem as festas (Lv 23):
· da Páscoa e dos pães sem fermento (ázimo) – é a festa dos judeus mais importante, celebrada no 14º dia do mês de Nisan, quando comemoravam a libertação dos hebreus da escravidão do Egito;
· das colheitas – era a festa mais popular e alegre, celebrada no último dia das festividades da Páscoa. Apresentavam a Deus a colheita.
· da Dedicação – durava 8 dias, comemorava a reconstrução e a inauguração do altar do templo pelos judeus do grupo de Judas Macabeu;
· dos Tabernáculos – festa dos judeus que durava 8 dias. No tempo do Nt faziam estas festas para lembrar os hebreus que tinham morado em barracas na caminhada no deserto;
· das Semanas – (mais tarde Pentecostes) – celebrada 50 dias depois da Páscoa, na qual se ofereciam a Deus as primeiras colheitas;
· das Tombetas – (mais tarde Ano Novo) – era um dia de descanso dedicado ao culto, mais importante que o sábado;
· do Sábado – somente os israelitas tinham esta festa especial. Cada sétimo dia era reservado para o descanso e esse dia pertencia a Deus.
· dia da Expiação – no 10º dia do 7º mês celebrava-se uma festa acompanhada da confissão e expiação dos pecados.
FESTAS DE PRECEITO – Dias festivos: domingos me outras festas, em que os cristãos são convidados a prestar culto a Deus, participando da Celebração Eucarística.
FILATERIAS – em grego, quer dizer: amuleto. São fitinhas de couro que os judeus colocavam na testa e no braço esquerdo. Usavam durante as orações e nos dias de festas. Queriam significar a fixação da Lei de Deus no coração e na memória (cf. Mt 23,5).
FILHO DE DEUS – No At era um título de reis por se considerarem portadores de qualidades messiânicas. No NT Jesus é apresentado como Filho de Deus, o Verbo, a segunda pessoa da Santíssima Trindade.
FILHO DO HOMEM – Membro da raça humana. Encontramos este termo muitas vezes no AT e nos evangelhos mais de 70 vezes. O próprio Jesus que se denomina assim, pondo em relevo a sua condição humana.
FOGO - Simboliza Deus: manifestação de sua presença e presença de temor (Ex 19,18). Às vezes, representa a provação purificadora (Lc 12,49).
FORNICAÇÃO – Libertinagem sexual, fora do matrimônio, fruto de egoísmo.
FORTALEZA – Uma das 4 virtudes cardeais (prudência, justiça, fortaleza e temperança), e um dos 7 dons do Espírito Santo. Por ela enfrentamos as dificuldades para praticar o bem.
FRAÇÃO DO PÃO – Entre os judeus havia o costume de se fazer o pão no formato de bolachas finas, chatas e redondas que eles partiam com a mão para comer. O Evangelho diz que Jesus, ao instituir a Eucaristia tomou o pão e deu graças e partiu-o. Daí foi tirada a expressão “fração do pão” para indicar o sacramento da nova Lei.
FRADES – Religiosos, sacerdotes ou irmãos leigos, pertencente a uma Ordem ou Congregação Religiosa masculina.
FREIRAS – Religiosas de determinada Congregação Religiosa feminina, as quais fazem votos de consagração a Deus.
FRUTOS DO ESPÍRITO SANTO – Amor, alegria, paz, paciência, bondade, benevolência, fé, mansidão e domínio de si (Gl 5,22).
FUNDAMENTALISMO – Atitude teológica de alguns grupos surgidos na metade do século 19, de estilo conservador, para defender o tradicional. Para os fundamentalistas, a Bíblia deve ser tomada “ao pé da letra”; não há compreensão dos dados históricos ou referentes às ciências e aos gêneros literários.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

VOCABULÁRIO BÁSICO DO CATEQUISTA - LETRA E



O objetivo deste vocabulário é oferecer explicações mais simples de palavras religiosas mais comuns, necessárias para o conhecimento e formação dos catequistas.


ECLESIASTES – Livro sapiencial do AT, também chamdo Qohelet.
ECLESIAL – Refere-se à experiência e à vida da Igreja.
ECLESIÁSTICO – Livro sapiencial do AT também chamado Livro de Bem Sirac ou Sirácida. Este livro não se encontra nas bíblias protestantes.
ECLESIOLOGIA – Estudo da realidade da Igreja não só sobre os aspectos da estrutura, história e culto mas especialmente sobre os aspectos ministeriais.
ECUMENISMO - Movimento entre as Igrejas cristãs em busca da unidade que quer dar resposta à palavra de Jesus: “que todos sejam um” (Jo 17,21).
EDUCAÇÃO DA FÉ – É a atividade que busca amadurecer a fé dos cristãos. Esta expressão define a catequese (cf. CT 18).
EFOD – Tipo de uma túnica adornada de ouro e jóias, usada pelo sumo sacerdote, judeu, no exercício de suas funções (Ex 28,4-14). Dava-se também o nome de Efod a uma espécie de divindade que se colocava nos santuários (1Sm 21,10).
EFRAIM – É apresentado como filho de José e irmão de Manassés (Gn 41,52). É o nome também de território geográfico.
EFFATÁ – Expressão aramaica que significa “abra-te” e pronunciada por Jesus ao curar o surdo-mudo (Mc 7,34).
EGITO – Na Bíblia aparece ligado a Israel como dominador político e cultural.
EL – Nome que os semitas deram a Deus e que inclui a noção de forte, como: El Shadai = Todo Poderoso (Gn 28,3).
ELOIM – Plural de EL = Deus de teus antepassados (Ex 3,6.15).
ELOISTA – Uma das 4 fontes de tradições usadas para a formação do Pentateuco.
EMANUEL – Palavra hebraica que significa “Deus conosco”. É usada na profecia de Isaías para descrever o Messias (Is 7,14; 8,8). Em Mateus 1,23 é aplicada a Jesus que é o Deus que está com seu povo.
EMAÚS – Localidade próxima de Jerusalém onde Jesus ressuscitado apareceu a dois discípulos (Lc 24,13-32).
ENCARNAÇÃO – É o Mistério de Deus que assume a natureza humana. Jesus Cristo, segunda pessoa da Santíssima Trindade, se encarnou no seio da Virgem Maria por obra do Espírito Santo (Lc 2). Jesus é verdadeiro Deus e verdadeiro homem numa só pessoa.
ENCÍCLICA – Carta circular para toda a Igreja, que a partir do século VII ficou reservada para os documentos do Papa. A encíclica não é a proclamação de uma verdade da fé, mas uma declaração do Magistério do Papa.
EPIFANIA – Esse termo designa manifestação de Deus. Festa do calendário cristão. É a manifestação de Cristo a todos os povos, refletida na visita dos reis magos do oriente.
EPISCOPADO – Conjunto de bispos e arcebispos, bispado.
EPÍSTOLA – Cartas dirigidas às comunidades. Os escritos de São Paulo são, em geral, epístolas, como também as cartas de Tiago, Pedro, João e Judas.
EROS – É o deus grego do amor carnal. Um dos deuses mais antigos e poderosos. Tem também o nome de cupido.
ESCAPULÁRIO ou bentinho – é uma veste que cai pelo peito e pelas costas; é o distintivo do hábito das ordens religiosas ou confrarias. Numa forma redutiva, consiste em dois pedaços de pano ou plástico, unidos por fitas ou barbante, que ficam sobre o peito e as costas. É a adesão dos leigos à espiritualidade de uma ordem religiosa. O escapulário mais usado é a de Nossa Senhora do Carmo.
ESCATOLOGIA – Doutrina ou tratado sobre as últimas realidades: a salvação final querida por Deus, o juízo final, a parusia, a ressurreição. Pode-se interpretar que a escatologia já começou aqui e agora.
ESCRIBA – (ver em Doutor da Lei).
ESCRITURA, SAGRADA – É o mesmo nome da Bíblia. É a fixação gráfica da Palavra de Deus.
ESOTERISMO = OCULTISMO – Doutrina ou práticas que se mantém ocultas e se revela apenas aos iniciados. É o conhecimento direto da verdade que se adquire por meio dos símbolos e alegorias.
ESPERANÇA – É uma das três virtudes teologais. Aparece junto à caridade e à fé (1Cor 13). É o sentimento e a atitude fundados na fé pelos quais os cristãos aguardam a salvação, o cumprimento das leis divinas, superando as dificuldades da vida humana.
ESPIRITISMO – Doutrina elaborada por Alan Kardec, em 1847. Suas características: prática da evocação dos mortos; crença dos espíritos divididos em categorias de imperfeitos, bons e puros. O médium é o homem capaz de pôr-se em contato com os espíritos, através de transes, escritos, fenômenos paranormais e forças ocultas. Crêem na reencarnação.
ESPÍRITO SANTO – Terceira pessoa da Santíssima Trindade. No NT aparece o Mistério da Trindade: o Espírito Santo desce sobre Maria para que nela se realize a Encarnação (Lc 1,35); sobre Jesus quando é batizado e começa sua vida pública (Lc 3,22). É denominado de Espírito da verdade, o Consolador, o Paráclito. Jesus promete aos seus discípulos que lhes enviará o Espírito o que se realizou em Pentecostes (At 2).
ESPIRITUALIDADE – É a capacidade de entrar em sintonia com Deus. Todas as religiões possuem uma espiritualidade; é a força interior que alimenta a vida espiritual de seus adeptos.
ESSÊNIOS – Nome dado a grupos de judeus que viveram em comunidade, em vida contemplativa, em Qumrám, junto ao Mar Morto. Criaram uma estrutura religiosa com escritos entre os séculos 2º antes de Cristo e o 1º depois de Cristo.
ESTÍGMAS – refere-se às chagas de Cristo. Estigmatizado é aquele que vê reproduzidas em seu corpo as chagas que Cristo teve em sua Paixão. No corpo de São Francisco de Assis foram reproduzidas estas chagas ou sinais de Cristo.
ESTOLA – Sinal de serviço sacerdotal. É uma faixa larga que os celebrantes colocam sobre a alva, sobre os ombros e as costas. Sua cor é determinada pela liturgia do dia. O diácono usa a estola atravessada partindo do ombro.
ETERNIDADE – Falamos de eternidade para nos referir à vida eterna ao passar desta vida à futura. Duração, sem princípio nem fim. Deus é eterno porque vive fora do tempo. Na expressão popular indica algo que dura muito e tem conotação penosa.
ÉTICA CRISTÃ – Trata do comportamento humano com compromisso de vida cristã.
EUCARISTIA – Termo grego que quer dizer Ação de Graças. É o maior dos sacramentos, em que o próprio Cristo está presente. Designa a refeição em que Jesus partiu o pão e deu a seus apóstolos como seu corpo e abençoou o cálice de vinho como cálice de seu sangue, da Nova Aliança. Recebe os nomes de: Ceia do Senhor, Última Ceia, Fração do Pão, Ágape, Comunhão, Missa.
EUTANÁSIA – Palavra grega que quer dizer boa morte. Consiste em provocar a morte de alguém para evitar que sofra em doença incurável. É ação imoral, que não pode ser justificada por nenhum motivo. A Igreja condena a eutanásia.
EVA – É o nome que Adão deu à primeira mulher (Gn 3,20). Significa “mãe de todos os viventes”.
EVANGELHO – Palavra grega que significa boa nova, boa notícia. Além da pessoa de Jesus como boa nova, evangelho significa também o conteúdo, ensino ou mensagem transmitidos por Jesus. Os livros que transmitem esta mensagem são os evangelhos escritos pelas comunidades de Mateus, Marcos, Lucas e João.
EVANGELHOS SINÓTICOS – dos quatro evangelhos, três são chamados sinóticos: Mateus, Marcos e Lucas por terem semelhança na estrutura dos escritos. Sinótico = parecido.
EVANGELIZAÇÃO – Ato de anunciar o Evangelho. A evangelização é o que define a missão da Igreja. É a sua identidade mais profunda (EN 14).
EXEGESE – Conjunto de ciências e métodos de interpretação com as quais são estudadas as Escrituras para descobrir sua história, texto, sentido, mensagem e origem.
EXÉQUIAS – Conjunto de ritos e orações que a Igreja realiza por ocasião da morte de um cristão, desde a sua morte até seu sepultamento.
EXÍLIO – Na Bíblia é o período em que o povo do Reino do sul – Judá – passou como cativo na Babilônia, de 587 a 538 a.C.
ÊXODO – Palavra grega: exodus, que quer dizer saída devido ao acontecimento central que narra o Livro do Êxodo: a saída do povo de Israel do Egito em busca da Terra prometida.
EXORCISMO – Prática que se encontra em todas as religiões antigas. São atos rituais destinados a expulsar do corpo de uma pessoa as forças maléficas, os deuses irritados, demônios e feitiçarias. Serviam também para livrar os doentes de seus males físicos e psíquicos ou para favorecer o êxito social, a prosperidade e as relações amorosas. Diferentemente das religiões antigas, o exorcista católico não opera com o seu próprio poder, mas pede a Deus o afastamento dos maus espirituais. O poder de expulsar os maus espíritos, em nome de Cristo, é exercido pelo diácono e pelo sacerdote a quem o bispo designa para esta missão.
EXPIAÇÃO – Palavra latina que quer dizer reparação. Como prática religiosa é apresentada como oferendas e sacrifícios a Deus para alcançar a remissão do pecado. Assim, Lv 15 descreve um rito sugestivo de expiação: um bode, que recebe, como carga simbólica, todos os pecados da comunidade. Daí o nosso costume de chamar de “bode expiatório” uma pessoa que “paga o pato” pelas faltas dos outros.

EXPERIÊNCIA HUMANA, COMPROMISSO COM A JUSTIÇA


A catequese deve partir da vida, onde ocorrem muitos fatos, ainda que nem todos tenham igual importância. Há experiências profundas no íntimo de cada pessoa. O Evangelho ilumina as experiências de vida, lugar de encontro com Deus.
Deus nos oferece a sua Palavra para dar à pessoa resposta as suas interrogações, como também aos acontecimentos sociais. Daí, que a catequese não só ilumina o íntimo da pessoa, como procurar esclarecer o que acontece em volta dela: na família, bairro, cidade, etc.
O Evangelho dá sentido a nossa vida. Jesus vive conosco uma situação histórica, política, religiosa, chamando-nos à fraternidade e à justiça.
É inevitável o nosso compromisso com a justiça de forma concreta junto aos nossos irmãos.
A justiça é a virtude que exige uma sociedade igualitária, respeito às pessoas, expulsando as desigualdades desumanas. Diante da competição desenfreada de nosso século, a justiça estabelece normas para melhor acolher os mais fracos, os excluídos, buscando igualdade para todos.
A justiça é fruto do amor, da fraternidade. Uma sociedade justa e igualitária é o feliz caminho para se obter a paz. A paz está inscrita no coração de todo homem como uma exigência da vida cristã.
A justiça e a fraternidade estão presentes em toda a história bíblica. Os profetas clamavam contra as injustiças cometidas pelos reis e pelos juízes que oprimiam os pobres.
Em muitos textos do Novo Testamento, a injustiça dos fariseus hipócritas é rejeitada. Eles julgavam ter alcançado a justiça pela realização externa das obras da Lei. Jesus condena esta atitude e ensina que: “se a justiça de vocês não for maior que a dos doutores da Lei e dos fariseus, vocês não entraram no Reino do Céu” (Mt 5,20).
São Paulo ressalta que “o Espírito é vida por causa da justiça” (Rm 8,10) e São João acrescenta em sua carta que “todo aquele que não pratica a justiça, isto é, que não ama o seu irmão, não é de Deus” (1Jo 3,10).
Em nosso continente, o documento de Medellin (II Conferência Geral do Episcopado Latino Americano, Medellin, Colômbia, 1968) destacou o tema da justiça social. O destaque maior e a necessidade mais urgente, conforme o documento, e a mudança social para que se transformem não apenas os indivíduos, mas também as próprias estruturas em que se baseia a nossa sociedade. Uma mudança que abranja os campos econômico, político e cultural.
A partir deste documento foram elaborados outros em nível nacional e Latino-americano. As Igrejas do nosso continente assumiram a tarefa de denunciar as injustiças sociais tão gritantes da sociedade. As comunidades se dedicaram ao estudo dos profetas, procurando ter maior senso crítico, viver o Evangelho, prolongando a missão de Jesus Cristo.
Neste sentido, o ideal e a prática da justiça fazem com que os cristãos participem da paz, que é um fruto do Espírito Santo; e porque criam um mundo onde o amor e a justiça se tornam presença de Deus entre nós.
Ao apresentar sua mensagem, a catequese deve orientar e promover o processo de transformação social, exigido pela atual situação de injustiça em que se encontram marginalizados um grande número de pessoas de nossa sociedade.

· Quais as experiências humanas que são importantes na transmissão do Evangelho? Por quê?
· Como podemos anunciar a justiça e denunciar a injustiça em nossos encontros catequéticos?

Fonte: Folheto Ecoando 7 - formação interativa com catequistas - Editora Paulus