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PALESTRAS E ENCONTROS

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quinta-feira, 18 de junho de 2009

PROCESSO DE COMUNICAÇÃO

Comunicação é a troca de mensagens entre duas ou mais pessoas ou grupos. A palavra comunicação vem do latim comunicatio – onis, que quer dizer: ato de dividir, repartir, comunicar, conversar, revelar.
Comunicar exige que se coloque algo em comum: idéias, notícias, sentimentos, emoções... É um ato constante de dar e receber. O ser humano é, antes de tudo, um ser que se comunica.

COMUNICAR É UMA EXIGÊNCIA DA VIDA EM SOCIEDADE
Ninguém consegue viver o tempo todo sozinho, isolado de outras pessoas com quem possa se comunicar. Mesmo no meio da multidão podemos nos sentir isolados dos outros. Hoje, nas grandes cidades, a falta de comunicação entre as pessoas tem sido uma das principais causas de depressão, angústia e suicídio. A solidão é um dos principais desafios da sociedade atual. Comunicar, para o ser humano, não é uma opção. É uma necessidade e direito!
A comunicação é um processo. É um conjunto de atitudes que se combinam e resultam na transformação das pessoas envolvidas
Comunicar é uma arte, pois:
· Resulta de um aprendizado;
· Pode-se ensinar;
· Pode-se aprimorar sempre;
· Envolve a pessoa humana integralmente em todas as suas dimensões;
· Exige habilidade, capacidade, talento, esforço e doação de si;
· Humaniza, ajuda a pessoa humana a se realizar cada vez mais.


ELEMENTOS DA COMUNICAÇÃO
a) Transmissor e receptor: O processo de comunicação começa quando uma pessoa toma a iniciativa e aborda uma outra. Abordar ou interpelar é o mesmo que chamar a atenção de alguém para o que queremos lhe dizer. O transmissor ou emissor é aquele que toma a iniciativa. Ele transmite, ou seja, partilha sua mensagem com o receptor – a pessoa a quem se destina a mensagem transmitida.
b) Mensagem: É o conteúdo, é a idéia que está sendo comunicada. Na catequese a mensagem central é a Boa Notícia do Reino de Deus. Freqüentemente, na catequese, o catequista é transmissor da mensagem e em outros momentos, o transmissor é o catequizando. A transmissão da Boa Notícia é uma via de mão dupla: sempre tem espaço para o retorno. A mensagem vai e volta, já enriquecida com a experiência do receptor. Numa catequese em que o catequista é sempre o transmissor e o catequizando é sempre o receptor, a qualidade da comunicação fica prejudicada. A comunicação estará completa quando as pessoas envolvidas se alternarem nos papéis de transmissor e receptor. Catequista e catequizando são os sujeitos da comunicação com igual responsabilidade.


Ninguém nasce sabendo comunicar. É um aprendizado que dura a vida toda.


SUGESTÕES PARA FACILITAR O PROCESSO DA COMUNICAÇÃO
1- Organizar oficinas de leitura crítica sobre jornais, revistas, livros, imprensa.
2- Organizar dias de reflexão para melhorar e aprofundar a comunicação na comunidade.
3- Incentivar a criação de uma “Agência de Notícias” em nível de comunidade e/ ou paróquia.
4- Fazer uso da Internet e do correio eletrônico (e-mail).


CONVERSANDO E RESPONDENDO:
· O que é transmissor?
· O que é receptor?
· Por que é importante que catequistas e catequizandos se alternem nesses papéis?


Fonte: Folheto Ecoando 26 - formação interativa com catequistas - Editora Paulus

CATEQUIZANDO OU ALUNO?

O catequizando é um ser humano, uma pessoa que precisa ser assistida, amada, orientada e educada na fé.
A pedagogia escolar, nas antigas estruturas pedagógicas, trata o ser humano como aluno. O professor passa sua idéias, suas teorias bem formuladas e bem elaboradas para seus alunos.
A educação à fé ou catequese não é arte de passar idéias, mas a arte de apresentar o projeto de Deus na vida do catequizando, deixando-o se entusiasmar por Ele para viver esse projeto. O catequista deve ajudar a pessoa a descobrir o apelo do Espírito Santo à conversão e ao compromisso cristão.
O catequista, para acolher alguém como “catequizando” e não como “aluno”, deverá beber na pedagogia de Jesus Cristo.

CARACTERÍSTICAS DA PEDAGOGIA DE JESUS:
1-
Ele conhecia a realidade de seus catequizandos, os seus discípulos; conhecia os seus trabalhos, suas tradições, sua fé.
2- Jesus era sensível a realidade. Ele falava do Reino a partir da realidade das pessoas; conhecia as suas preocupações, suas lutas e suas alegrias.
3- Jesus acolhia as pessoas. Estava sempre com o povo, principalmente com os pobres, com as crianças e com os pecadores. Visitava as pessoas, dando a todos atenção e apoio (Jo 11,35) e acabou entregando a sua vida pelos amigos (Jo 14,18; 15,13).


A partir desta pedagogia de Jesus o catequista deve:
· Procurar conhecer o catequizando como pessoa, como ser humano com quem se relacionará por um certo período de tempo;
· Respeitar suas características pessoais que se manifestam nas diferentes faixas etárias;
· Proporcionar um ambiente comunitário para ajudar os catequizandos nas suas necessidades e aspirações;
· Superar a tentação de fazer de um encontro catequético um doutrinamento meramente receptivo, passivo;
· Fazer com que o catequizando parta da sua experiência, desenvolva seus valores e seja o protagonista da sua educação à fé.


Conversando e Respondendo:
Descobrir os aspectos essenciais de um “aluno” e de um “catequizando” a partir desta entrevista:
· Promover a encenação de um diálogo com 6 catequizandos, perguntando a cada um deles:
- Como poderei lhe educar na fé:
E o catequizando responderá:
1- Para você me educar na fé, você precisa me conhecer, precisa saber da minha vida, meu modo de viver e sobreviver; conhecer as verdades pessoais e fatos nos quais eu creio e aos quais me agarro nos momentos de solidão, desespero e sofrimento.
2- Para você me educar na fé, você precisa me encontrar lá onde eu existo, quer dizer, no coração das coisas, nos mitos e nas lendas, nas cores e movimentos, nas formas originais e fantásticas, na terra e nas estrelas.
3- Para você me educar na fé, você precisa estar comigo onde eu estou, mesmo que você venha de longe e que esteja muito adiante ou muito para traz. Só há um adiante para mim: aquilo que eu construo e conquisto a partir de mim mesmo e do meio em que eu vivo.
4- Para você me educar na fé, você precisa compreender a cultura do contexto em que se dá o meu crescimento, pois suas linhas de força são as minhas energias, suas crenças o meu credo e as minhas esperanças.
5- Para você me educar na fé, você precisa acreditar que a “educação da fé” que eu necessito é aquela que me faz mais eu, que desperta, do mistério do meu ser, as potencialidades adormecidas dentro de mim. Uma educação que promova a minha identidade pessoal.
6- Para você me educar na fé, você precisa conhecer a minha espiritualidade, a iniciação cristã que recebi de minha família e conhecer tudo aquilo que acredito e procuro viver para ser feliz com o meu Deus.
(Adaptação do texto de Vital Didonet)


Fonte: Folheto Ecoando 25 - formação interativa de catequistas - Editora Paulus

quinta-feira, 11 de junho de 2009

COMO NÃO LER A BÍBLIA


SETE “PECADOS CAPITAIS” DA LEITURA BÍBLICA
1- Leitura fundamentalista

O que é: interpretar o texto sagrado ao pé da letra, sem levar em conta o que o texto diz por trás das palavras.
Sintomas:
· fanatismo: defesa violenta das próprias idéias sobre a Bíblia; colocá-la acima dos principais valores humanos;
· intolerância com pessoas e grupos que interpretam de forma diferente os mesmos textos.
Como evitar:
· não impor aos outros suas próprias idéias;
· deixar-se questionar pelas idéias dos outros;
· levar em conta o contexto em que os livros surgiram;
· descobrir nos textos o que há de simbólico, poético, etc.

2- Leitura apologética
O que é: usar textos para defender idéias ou doutrinas que não estão presentes neles. (Apologia quer dizer defesa).
Sintomas:
· tradicionalismo: colocar a religião, a doutrina e os ritos acima da busca da Verdade e da defesa da Vida;
· medo de descobrir nos textos dados novos e diferentes que questionam parte da tradição recebida.
Como evitar:
· abrir-se ao novo trazido pela realidade e pela Palavra;
· ler não apenas o trecho selecionado; descobrir livros e textos relacionados para ampliar a visão;
· não ser submisso à interpretação já pronta dos livros; ter espírito de busca e pesquisa;
· ser fiel ao conteúdo dos trechos estudados.

3- Leitura intimista
O que é: interpretar os textos exclusivamente em benefício pessoal; achar-se o único destinatário da Palavra.
Sintomas:
· emocionalismo: ler só com o coração, sem usar a cabeça, como se a Bíblia fosse um livro de auto-ajuda;
· absolutizar textos agradáveis e negar textos mais duros.
Como evitar:
· abrir-se à dimensão social e comunitária da Bíblia;
· não ler sozinho, mas buscar as opiniões dos outros;
· procurar conhecer amplamente a Bíblia, ler também os textos que parecem, à primeira vista, distantes de sua realidade pessoal;
· respeitar a autonomia do texto, ou seja, reconhecer que ele foi escrito para outras pessoas numa situação histórica diferente da sua.

4- Leitura esotérica
O que é:
usar a Bíblia como se fosse um livro de formulas mágicas, de ciências ocultas. (Esotérico quer dizer oculto).
Sintomas:
· misticismo: crer que existe na Bíblia conhecimentos acessíveis somente a poucos privilegiados;
· citar frases isoladas como se fossem palavras mágicas;
· usar a Bíblia para fazer previsão do futuro.
Como evitar:
· não ler a Bíblia para adivinhar o futuro, ou como se os textos do Antigo Testamento fossem apenas anúncios do que aconteceria na época de Jesus;
· ser fiel ao conteúdo dos trechos estudados;
· não usar frase bíblicas isoladas, desvinculadas de seu contexto, como “abracadabra” em situações difíceis;
· ter humildade e reconhecer que toda interpretação da Palavra deve estar de acordo com o projeto de Jesus.

5- Leitura reducionista
O que é: reduzir os textos sagrados à dimensão religiosa; desprezar seus aspectos sociais, econômicos, políticos e culturais.
Sintomas:
· devocionismo: achar tudo bonito, correto e piedoso, sem levar em conta as fraquezas do povo de Deus;
· conservadorismo religioso, falta de consciência social;
· falta de confiança no ser humano.
Como evitar:
· lembrar-se que Deus é Deus em todas as dimensões da Vida, não só na religião;
· valorizar as diversas dimensões da vida (política, economia, cultura, afetividade, etc.) como queridas por Deus e importantes para a felicidade humana.
· Interpretar os textos tendo em mente as várias dimensões da vida.

6- Leitura materialista
O que é: interpretar a Palavra de uma forma puramente científica; negar a inspiração divina dos textos.
Sintomas:
· intelectualismo: ler só com a cabeça, sem usar o coração, como se a Bíblia fosse um baú de fósseis;
· usar a Bíblia só para estudar as civilizações antigas, sem interesse nas civilizações humanas de hoje.
Como evitar:
· cultivar a leitura orante da Bíblia, em intimidade com Deus, invocando sempre (na oração ou no mero estudo) o Espírito Santo;
· buscar o bem comum e a defesa da vida em primeiro lugar, em obediência ao Deus da Vida;
· reconhecer com humildade a presença do Deus vivo na história e colocar-se a serviço Dele na luta pela justiça.

7- Leitura espiritualista
O que é: ler a Bíblia e a vida com os olhos voltados para a salvação pessoal, sem preocupação com a vida do irmão.
Sintomas:
· moralismo: dar mais importância ao bom comportamento que o bem do ser humano; colocar a lei acima da vida;
· desprezo pelo corpo humano e pela afetividade.
Como evitar:
· ler com os pés no chão, lembrando que não há alma sem corpo nem corpo sem alma;
· ler com a preocupação de melhorar o aqui-e-agora de toda a humanidade, por menos “santa” que ele seja.

DEZ VÍCIOS COMUNS NO ESTUDO DA PALAVRA
1- Selecionar para leitura somente trechos conhecidos ignorando passagens difíceis.
2- Ignorar as condições históricas em que o texto foi escrito. Julgar o passado com mentalidade do presente.
3- Concordar automaticamente com tudo que o padre, a coordenação ou qualquer autoridade diz sobra a Bíblia.
4- Impor uma única interpretação; impedir a troca de idéias para evitar interpretações diferentes da “oficial”.
5- Ler a Bíblia como horóscopo, como se ela nos dissesse magicamente o que fazer a cada momento da vida.
6- Interpretar somente a partir das próprias experiências pessoais; não ouvir o que dizem a Igreja universal e a comunidade local.
7- Ler a Bíblia sempre sozinho; ter vergonha ou preguiça de convidar os outros.
8- Ignorar o sentido profundo dos textos; apontar muito rapidamente soluções para os problemas indicados.
9- Dividir a realidade entr o bem (nós) e o mal (eles); não levar em conta a ambigüidade das relações humanas, presentes também na Escritura (Mt 13,24-30)!
10- Achar bom tudo que está na Bíblia e condenar tudo que se faz como mau e imperfeito.


Fonte: Folheto Ecoando 11 - formação interativa com catequistas - Editora Paulus

quarta-feira, 10 de junho de 2009

VOCABULÁRIO BÁSICO DO CATEQUISTA - LETRAS X, Y e Z


XEOL – A morada dos mortos.


YHWH – As quatro letras consoantes (tetragama) que compõem o nome próprio de Deus de Israel na Bíblia = Javé: “sou Aquele que é”.


ZELOTES – Membros de um grupo político judeu. Organizavam uma rebelião contra Roma, para libertar Israel.
ZUMBI – Crença popular afro-brasileira; é a manifestação da expressão da consciência negra na sociedade brasileira. Este, primeiro Ogum, Herói Negro, é comemorado no dia 20 de novembro, data em que ele morreu, em 1695, em Palmares, Serra da Barriga, Alagoas. Ele representa a luta, a força e o trabalho.

VOCABULÁRIO BÁSICO DO CATEQUISTA - LETRA V


VATICANO – Cidade-Estado, em Roma, sede da Igreja Católica, onde reside o Papa, chefe da Igreja e sucessor de Pedro. Abrange os edifícios da Cúria Romana onde funcionam a administração central da Igreja, as Sagradas Congregações que tratam dos diversos assuntos do governo da Igreja.
VERBO – Em latim “verbum” – significa palavra. Na teologia, indica Jesus Cristo (Palavra de Deus), segunda pessoa da Santíssima Trindade. Junto ao Pai, o Verbo, participa da mesma natureza divina, princípio e fim da criação e da revelação.
VERSÍCULO – Pequena unidade de um texto bíblico, numerada para facilitar a sua leitura. Foi Roberto Etienne quem, em 1551, numerou a Bíblia em capítulos e versículos.
VIA-SACRA – É uma oração em que o povo mostra a sua devoção a Cristo, lembrando o caminho que ele percorreu até o Calvário, onde foi pregado na cruz. Para realizar esta devoção, há nas Igrejas, 15 quadros consagrados e numerados, representando, com as imagens, os momentos importantes do sacrifício de Jesus.
VIÁTICO – É a Eucaristia dada ao doente como alimento e força para o caminho em preparação à morte.
VICARIATO – Zona geográfica em que algumas dioceses se dividem para uma melhor coordenação.
VIGÍLIA PASCAL – É a noite do sábado de Aleluia, véspera da Ressurreição de Cristo. Na celebração se faz a bênção do fogo, acende-se o Círio Pascal e se abençoa a Água Batismal. É o dia mais apropriado para a celebração do Batismo de Adultos e para Renovação das Promessas Batismais.
VIRTUDES TEOLOGAIS – São as virtudes da fé, esperança e caridade.
VULGATA – Nome da tradução dos textos bíblicos para o latim, a partir de seus idiomas originais (hebraico, grego, aramaico). Tradução atribuída a São Jerônimo, no século IV.

VOCABULÁRIO BÁSICO DO CATEQUISTA - LETRA U


UNÇÃO – Ação de derramar óleo sobre alguém. Na Bíblia, a unção relaciona-se com a consagração do rei (1Sm 10,1; 16,13), do sumo sacerdote, dos profetas e de pessoas a quem se confiava uma missão específica.
UNIGÊNITO – Chamamos Cristo de unigênito, Filho único do Pai, da mesma natureza do Pai.
URBI ET ORBI – latim = “Da cidade de Roma para todo o mundo”, Local de onde o Papa envia, em determinadas ocasiões, a sua mensagem e benção a todas as nações.

VOCABULÁRIO BÁSICO DO CATEQUISTA - LETRA T


TABERNÁCULO – Tenda móvel que indica, para os israelitas, a presença de Deus. Os israelitas celebravam uma festa chamada festa das Tendas.
TALMUD – Conjunto de lei oral judia colocada por escrito.
TE DEUM – latim = “a ti, ó Deus, início de um solene hino de ação de graças.
TECA – Caixinha de metal onde se coloca as hóstias consagradas para levar aos doentes.
TEMPLO DE JERUSALÉM – Onde os israelitas ofereciam seus sacrifícios. O primeiro Templo foi construído no tempo de Salomão, e destruído pelos babilônios, em 586 a.C.; reconstruído em 516 a.C.; reformado, ampliado e enriquecido por ordem de Herodes, o grande, no tempo de Jesus. Foi novamente destruído pelos romanos, em 70 d.C. e jamais reconstruído. Dele resta apenas um pedaço do seu muro ocidental, chamado Muro das Lamentações, onde pessoas rezam e choram.
TEOCRACIA – Forma de governo em que a autoridade dos deuses ou do Deus Supremo era exercida por seus representantes na terra.
TEOFANIA – Manifestação extraordinária de Deus acompanhada de fenômenos especiais da natureza.
TEOLOGIA – Ciência que tem o objetivo o estudo de Deus.
TETRARCA – Aquele que governa quatro regiões. Na Bíblia, este título era dado aos governadores dos reinos do Oriente, que não desfrutavam de importância e linhagem suficiente para serem chamados de reis.
TORÁ – A Lei dos Judeus; os cinco livros do Pentateuco. Em algumas passagens do NT a palavra Torá se aplica a totalidade dos livros do AT (Jo 10,34; Rm 3,19-20).
TRADIÇÃO – A tradição da Igreja tem como conteúdo básico a salvação realizada em Jesus. Os cristãos voltam à tradição dos apóstolos, através da sucessão dos bispos.
TRANSUBISTANCIAÇÃO – Indica a transmutação da substância do pão e do vinho, na substância do Corpo e Sangue de Cristo, que se tornam presentes, sob as aparências (as espécies) sensíveis do pão e do vinho (Concílio de Trento). A transubstanciação acontece na Celebração da Eucaristia, no momento da Consagração.
TRINDADE, SSMA. – Dogma que afirma a existência de Deus que se revela ao homem, através da história, como Deus uno em três pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo. A palavra Trindade não aparece na Bíblia.
TURÍBULO – Peça de metal, suspenso por correntinhas, onde se queimam o incenso nas celebrações litúrgicas.

VOCABULÁRIO BÁSICO DO CATEQUISTA - LETRA S


SÁBADO – É o dia do repouso semanal. O AT dá grande importância a esta prescrição. O Evangelho não apresenta com rigor esta observância. Coloca o valor da pessoa acima dela. Quando a Igreja primitiva se separou do judaísmo, foi também abandonando aos poucos a observância do sábado (Cl 2,16). Foi dada maior importância ao primeiro dia da semana, celebrando o dia da Eucaristia, dia da Ressurreição de Cristo e de sua presença viva na comunidade de fé.
SACERDOTES – Entre os antigos israelitas, eram os guardiões do santuário, exercendo as funções legais e rituais. O privilégio do sacerdócio foi dado à tribo de Levi. Os levitas eram destinados exclusivamente ao serviço do culto. Na Igreja, hoje, o batizado, pela unção do Espírito Santo, é considerado rei, profeta e sacerdote. Entre os cristãos, Deus institui a alguns como ministros. Assumem o Sacramento da Ordem, oferecem o sacrifício eucarístico em nome de Cristo e perdoam os pecados.
SACRAMENTAIS – São sinais sagrados instituídos pela Igreja para despertar a fé das pessoas, auxiliar na devoção e preparar para receber a graça de Deus. Não têm o valor e a eficácia dos sacramentos. São, em geral, bênção de pessoas, de lugares, de objetos ou alguma oração.
SACRAMENTOS – Sinal ritual destinado à santificação das pessoas. É sinal visível da graça invisível. São sete os Sacramentos cristãos fixados no Concílio de Trento: Batismo, Crisma ou Confirmação, Eucaristia, Ordem, Matrimônio, Penitência – Reconciliação ou Confissão e Unção dos Enfermos.
SACRÁRIO – Pequeno cofre sagrado onde é colocada a âmbula com as hóstias consagradas. Deve ser fechado com chave que fica sob a responsabilidade do Sacerdote ou do Ministro Extraordinário da Comunhão Eucarística. Um lâmpada acesa indica a presença eucarística de Jesus.
SADUCEU – Membro de um grupo do judaísmo, composto em grande parte de sacerdotes. Os saduceus eram mais conservadores do que os fariseus e deles se distinguiam por doutrinas e práticas. Não acreditavam em anjos, demônios, ressurreição dos mortos. Estavam ligados ao poder e não se misturavam com o povo simples. Por isso, não tiveram muito contato com Jesus.
SAMARITANO – Natural da Samaria. Após a invasão dos Assírios, em 722 a.C., a população foi misturada com outros povos, criando dificuldades de relacionamento entre judeus e samaritanos. SANGUE – Símbolo da vida. Os sacrifícios do AT exigiam o derramamento de sangue. Jesus derramou seu sangue pela salvação da humanidade.
SANTO – No AT é considerado aquele consagrado a Deus. Na Igreja, desde o século XVI, este termo é reservado ao cristão que foi beatificado ou canonizado pelo Santo Padre.
SEICHO-NO-IÊ – É religião neo-budista, fundada pelo japonês T. Masahuru. Mistura elementos da psicologia, do budismo e do cristianismo. Nega a redenção de Jesus. No Brasil, é a seita neo-budista mais difundida.
SEITA – É uma corrente ou um grupo de pessoas que se afastou de um organismo inicial e tem consciência do privilégio de ter revelações particulares. Exemplo: Seita Moon.
SEMINÁRIO – Estabelecimento religioso no qual os futuros padres (seminaristas) estudam e se preparam para a ordenação sacerdotal.
SETENTA, OS - A mais importante versão grega das Sagradas Escrituras, no AT, conhecida e citada por autores do NT.
SINAGOGA – Lugar de reunião dos judeus onde se estudavam as Escrituras. Os judeus se reuniam para celebrar a liturgia da Palavra, no sábado. Durante a semana, a sinagoga era usada como escola. Jesus freqüentou as sinagogas e iniciou seu ministério público na sinagoga de Nazaré.
SINCRETISMO – é a reunião de elementos de várias religiões ou culturas religiosas. O pensamento sincretista aceita a igualdade das religiões.
SINÉDRIO – No NT é o senado dos judeus. Era formado pelos anciãos, sumo sacerdotes e escribas, no total de 71 pessoas.
SÍNODO – Convocação dos bispos feita pelo Papa para tratar de assuntos pastorais de âmbito universal. Em 1997, houve um Sínodo de Bispos para a América, em 2008 houve um Sínodo sobre a Palavra de Deus. Numa diocese, o Bispo convoca os clérigos para o Sínodo Diocesano.
SINÓTICOS – Designação que se dá aos Evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas. Apresentam textos comuns que podem ser lidos numa visão de conjunto.
SOLIDÉU – É um pequeno chapéu sem abas usado pelos Bispos (roxo), pelos Cardeais (vermelho) e pelo Papa (branco).
SUMOS SACERDOTES – Primeira autoridade do judaísmo. No tempo de Jesus, o Sumo Sacerdote presidia o Sinédrio.
SUPERSTIÇÃO – Crendice baseada na suposição de que coisas inacreditáveis e fantásticas estão sempre para acontecer. Para atender a superstição (positiva ou negativa) toma-se atitudes confiante em alcançar os resultados.

VOCABULÁRIO BÁSICO DO CATEQUISTA - LETRA R


RABI – Significa: Mestre. Também se refere aos que tomam os primeiros lugares na sinagoga.
RABINO – Título dado a uma pessoa mestre em direito judaico, na Lei ou Torá. Os rabinos fazem parte da classe dirigente e influente da sociedade hebraica. Presidem o culto na sinagoga.
RASGAR AS VESTES – Na linguagem bíblica, as vestes são muito ligadas à pessoa. Rasgar as vestes significa perder a alegria, a paz; é sinal de tristeza, de medo, de luto ou de indignação.
RECONCILIAÇÃO – Refere-se ao Sacramento da Penitência ou Confissão que tem como fim reconquistar a graça batismal. A reconciliação com Deus e com os irmãos estão intimamente ligadas.
REDENÇÃO – É a obra da salvação e de libertação dos homens realizada por Jesus com sua morte. Cristo nos redimiu com o seu sangue derramado por nós, no sacrifício da cruz.
REENCARNAÇÃO – Refere-se à volta das almas dos que já morreram em outros corpos para se purificarem dos pecados cometidos. É doutrina espírita, incompatível com o cristianismo, porque não crê na Ressurreição.
REINO DE DEUS – Termo que aparece 51 vezes no Evangelho de Mateus e 80 vezes em Marcos. O Reino é a realização do projeto de Deus que deseja liberdade e vida para todos, principalmente para os oprimidos.
RELIGIÃO – Do verbo “re-ligar”. É um conjunto de práticas usadas por grupos humanos para se relacionarem com Deus. A religião brota do ser humano, do seu desejo do infinito; é a tendência de buscar Deus.
RELIGIOSIDADE – Refere-se a um fenômeno da natureza psicológica e social, às disposições interiores da pessoa e à tendência de buscar Deus. Concretiza-se nas diversas religiões.
RELIGIOSIDADE POPULAR – É a religião do povo que deseja manifestar a sua fé de acordo com a sua cultura, de modo simples, emocional e coletivo. As principais manifestações se referem à devoção a Nossa Senhora e aos Santos.
RELÍQUIAS – Parte dos corpos dos Santos ou objetos que estiveram em contato com eles, durante sua vida ou depois da morte. Sua exposição, em determinados dias, transforma-se em grandes celebrações populares, geralmente em santuários e lugares de peregrinação.
RÉQUIEM – Do latim “repouso”. Missa celebrada por alma dos defuntos.
RESSURREIÇÃO – Ressuscitar = despertar, retornar a vida, estar vivo. A Ressurreição de Jesus é apresentada como plenitude de vida e como exaltação. A ressurreição dos cristãos se dará no final dos tempos, pela fé em Jesus Cristo.
RESTO – Não tem sentido pejorativo. No AT, Israel tinha a esperança de que o povo de Deus nunca acabaria; haveria sempre um pequeno resto, uma certeza de futuro do povo.
REVELAÇÃO – Do latim revelare = “tirar o véu”. Para os cristãos, judeus e muçulmanos é Deus quem toma a iniciativa de se fazer conhecer no caminho da história. É também o nome do livro do Apocalipse.
RITO – Ação sagrada, eficaz e salvífica. É o conjunto de sinais, símbolos, gestos e palavras, expressando, na celebração, uma realidade que não se vê.
ROMARIA – Peregrinação religiosa, entremeada de preces, cantos e manifestações de piedade, a algum santuário ou local de maior devoção.
ROSÁRIO – Na Igreja Católica é uma devoção a Nossa Senhora composta das orações de 20 Pai-Nossos, 200 Ave-Marias e 20 Glória ao Pai, meditando 20 mistérios da vida de Jesus e de Maria. Essa devoção foi propagada por São Domingos, no século XIII com 15 Pai-Nossos, 150 Ave-Marias e 15 Glória ao Pai, compondo 15 mistérios, e em 16 de dezembro de 2002, através da carta apostólica Rosarium Vigines Mariae, o Papa João Paulo II, acrescentou os mistérios luminoso, como antes deste acréscimo o terço era a terça parte do Rosário, até hoje o chamamos pelo mesmo nome, apesar de agora ser a quarta parte do Rosário.

VOCABULÁRIO BÁSICO DO CATEQUISTA - LETRA Q


QUARESMA – Do latim, significa 40 dias de preparação para Páscoa com jejuns, orações e penitências.
QUIROMANCIA – É a adivinhação pelas mãos. Encontra-se nas religiões antigas.
QUMRAN – É uma localidade na margem do mar Morto, na Palestina, povoada ao redor do ano 200 a.C. É considerada a maior descoberta arqueológica relativa ao mundo da Bíblia. Lá foram encontrados, no período de 1947 a 1956, manuscritos do AT.

LEITURA ORANTE DA BÍBLIA


BÍBLIA: COMPANHEIRA DE ORAÇÃO
Desde o começo da Igreja a Bíblia foi o principal livro de oração. Jesus e seus seguidores gostavam de ir à sinagoga para estudar a Palavra de Deus (Lc 4,16). No estudo das Escrituras, as primeiras comunidades (At 17,10-11) aprofundavam a fé no Deus da vida, a esperança do Reino e o amor ao próximo.
Ao longo da história, muitos dedicaram a vida inteira à meditação da Palavra do Senhor. Eles criaram um método de oração: s leitura orante da Bíblia.
Método quer dizer caminho: A leitura orante é um caminho acessível a todos, que nos ajuda com simplicidade a rezar e a viver a Palavra de Deus. Pode ser feita em grupo ou individualmente, mas sem perder de vista o bem da comunidade humana.
A postura corporal é muito importante. Ela revela a intenção intima de cada um e aumenta a concentração.

LEITURA ORANTE EM CINCO PASSOS
a) Invocar o Espírito Santo, por meio de uma oração, um canto, um louvor, uma adoração silenciosa... O Espírito é a força que nos ajuda a entender e vivenciar o sentido profundo da Escritura. Postura sugerida: em pé, de braços levantados e mãos dadas.
b) Ler para entender o sentido do testo. Postura sugerida: sentados confortavelmente em círculo. Escolher um texto com começo, meio e fim. Não ler apenas frases ou versículos isolados! Ler o texto várias vezes, pesquisando o sentido das palavras desconhecidas. Ver o que o texto revela:
· da realidade humana: econômica, política, social e ideológica daquela época.
· Da realidade divina: o rosto de Deus que se vê pela janela do texto.
· Analisar: qual a mensagem central do texto em si?
c) Refletir para atualizar o sentido do texto. Postura sugerida: sentados confortavelmente em círculo. Ligar o texto com a realidade nos níveis: pessoal, familiar, comunitário, social e mundial. Analisar: qual a mensagem central para nós, hoje? Questionar: que idéias e atitudes nossas precisam mudar, de acordo com o texto? Que idéias e atitudes são confirmadas pela mensagem do texto?
d) Oração: conversa com Deus. Postura individual sugerida: sentados ou de joelhos, de olhos fechados e cabeça levemente inclinada. A partir das descobertas feitas, rezar em silêncio, no íntimo do coração, agradecendo, louvando, pedindo, oferecendo... Postura grupal sugerida: em pé, de mãos dadas. Rezar em grupo, apresentar intenções pessoais e comunitárias, assumir compromissos concretos diante de deus.
e) Contemplação: saborear a amizade com Deus. Contemplar é olhar o mundo de um jeito novo, enxergar além das aparências. É um olhar silencioso e penetrante em direção á vida. A contemplação ultrapassa o momento próprio da oração. É dom de Deus. Pode ser pedida e exercitada através da leitura orante da Bíblia.

BÍBLIA: CAMINHO PARA CONHECER A DEUS
CONHECENDO O MISTÉRIO DE DEUS
Pela oração, aprendemos a saborear o mistério de Deus e da nossa existência. Fomos criados por um Deus que ama e quer ser amado por nós.
Deus é mistério porque é infinito. Nunca teremos um conhecimento completo de Deus. A cada momento, descobrimos coisas novas e surpreendentes sobre Ele. Deus é uma fonte de maravilhas que nunca se esgota.
Deus é mistério, mas não é misterioso! Ele gosta de se revelar às pessoas. Não guarda segredo sobre si mesmo, mas respeita nossa capacidade limitada de compreendê-lo.
Nosso Criador é como a luz. Nossos olhos, acostumados a escuridão, têm dificuldades em aceitar a luz. Por isso, Deus não mostra de uma só vez todo Seu brilho. Vai se mostrando aos pouquinhos, na medida em que nossos olhos se acostumam à Sua Glória.
A Bíblia é a história da revelação gradual do Deus vivo. Ela nos mostra também como o povo foi se acostumando pouco a pouco à Luz Verdadeira.
O povo da Bíblia, nos seus inícios, tinha certas idéias sobre Deus que, mais tarde, mudaram. Fatos novos faziam o povo descobrir em Deus qualidades novas.
Em certos momentos, o povo entrava em crise. Descobria algo diferente e difícil de aceitar em Deus. Parecia que Ele estava ausente.
Depois, a luz se fazia novamente e o povo sentia Sua presença.
As pessoas crescem no conhecimento do mistério de Deus. Assim também, o povo da Bíblia crescia, entrava em crise, abria-se ao novo e redescobria, concretamente, quem é o Deus vivo!

UM APRENDIZADO DEMORADO
O aprendizado do povo de Deus foi demorado e difícil. Na Bíblia, encontramos algumas idéias sobre Deus que, mais tarde, foram superadas. São como frutos que já cumpriram seu papel, alimentaram o povo e deram novas sementes. Vamos ver um exemplo?
Nos inícios, o povo da Bíblia achava que Javé era apenas mais um entre os outros deuses. Mas já O reconheciam como o Deus dos deuses. Leia em Ex 18,11; Dt 18,20; Jz 10,6.
Com os profetas, o povo foi percebendo que não havia “outros deuses”. Javé era o único Deus existente. Os demais eram ídolos vazios, isto é, invenções dos seres humanos. Veja Is 44,9-11; Jr 2,11; Os 14,4.
Com Jesus, porém, o povo da Bíblia se deu conta de que há três pessoas em Deus: o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Veja Lc 10,21-22; Jo 14,9; 2Cor 13,13.


Fonte: Folheto Ecoando 10 - formação interativa com catequistas - Editora Paulus

terça-feira, 9 de junho de 2009

O CONTEXTO DO NOVO TESTAMENTO

BÍBLIA: ÁLBUM DE FOTOGRAFIA
Os textos do Novo Testamento são como fotos que os primeiros cristãos tiraram de suas comunidades. Por trás de cada texto, há uma história de pessoas reais, que vivenciaram a descoberta do Reino de Deus e seguiram Jesus, muitas até o martírio.
As fotos mostram as pessoas como elas são: com seus defeitos e qualidades, com sua beleza e feiúra. Assim também os textos bíblicos mostram o povo de Deus com suas qualidades e defeitos, no esforço de concretizar o Reino de Deus na terra.
As fotos também não mostram tudo. Elas recortam a realidade, colocam uma moldura nas situações que retratam. Todo bom fotógrafo enquadra bem o tema que deseja registrar. Alguns conseguem, com computador, tirar uma pessoa que antes estava na foto e a gente nem percebe!
Os escritores bíblicos enquadraram as situações que desejam retratar. Alguns o faziam com simplicidade, outros tinham recursos mais avançados e recriavam a realidade retratada, como o fotógrafo.
Com o tempo, as comunidades foram organizando suas fotos em álbuns, de acordo com o assunto. A gente guarda fotos de casamento num álbum, mais ou menos na ordem em que foram tiradas. Em outro álbum, colocamos as fotos do batizado das crianças... e assim por diante.
O álbum da Bíblia se chama cânon. Um texto canônico é como uma foto incluída no álbum do povo de Deus.

NT: TESTEMUNHO DAS PRIMEIRAS COMUNIDADES
Os livros do NT são coleções de fotos muito antigas. Alguns mostram apenas o lado bonito e bem-sucedido das comunidades, como certo álbuns de casamento, onde todo mundo aparece feliz e bem vestido (At 4,32-37). Outros são fortes e chocantes, como reportagens que mostram o lado difícil da realidade humana (Mc 14,43-49).
Numa foto não aparecem apenas pessoas. Aparecem roupas, ambientes, paisagens, móveis... Também podemos distinguir, pela posição das pessoas, o que estão fazendo e o que significam suas atitudes. Por meio de todos esses elementos, compreendemos melhor a história que a foto conta.
Os livros do NT nos mostram a Palavra de Deus, não apenas porque falam de Jesus e dos apóstolos, mas também pelas situações apresentadas. É importante compreender os pequenos detalhes das fotos bíblicas, pois a Palavra de Deus está nas pequenas coisas da vida.
Para captar esses detalhes, é preciso aprender a suspeitar do que aparece à primeira vista. É preciso ligar o suspeitômetro, que nos ajuda a descobrir o que está por detrás das palavras.

O CENÁRIO DO NOVO TEXTAMENTO
1- CONTEXTO POLÍTICO: a dominação romana
Os romanos dominavam Israel de 63 a.C. a 135 d.C..
Freqüentemente explodiam revoltas populares contra a dominação romana e a elite das cidades. A repressão era cruel. Os romanos escravizavam os povos rebeldes e crucificavam os líderes. A morte na cruz era o grande sinal de maldição, humilhação e rejeição por parte dos dominantes. Até a simples lembrança do nome de um crucificado era considerado crime.

2- CONTEXTO ECONÔMICO: exploração dos pequenos
Os romanos cobravam impostos das elites de cada cidade. As elite, por sua vez, corriam atrás do prejuízo, cobrando impostos ainda mais altos do povo do campo.
Os poderosos, apoiados pelos romanos, se apoderavam das terras dos pequenos e jogavam famílias na miséria. Muitas iam parar na periferia das cidades grandes, onde faziam bicos para viver.

3- CONTEXTO SOCIAL: exclusão dos fracos
Na cultura judaica, a importância da pessoa dependia do sexo, idade e raça. Só o homem adulto, judeu de raça e fé, tinha valor social. As crianças (especialmente as meninas), os doentes, as viúvas, as prostitutas, os leprosos, todos esses não tinham direitos. Eram excluídos da vida social, política e religiosa.

4- CONTEXTO RELIGIOSO: santidade e retribuição
O objetivo da religião judaica era a santificação do povo, pelos caminhos da pureza e da Lei.
Pureza era sinônimo saúde e higiene. Era considera impuro quem ficasse doente ou tocasse sangue, doentes e cadáveres e líqüidos corporais. Mas não bastava um simples banho para purificar! Eram exigidas ofertas e dízimos para o Templo de Jerusalém.
Por outro lado, era preciso seguir fielmente às mínimas exigências da lei judaica. Para muitos líderes religiosos, o mais importante não era a justiça, mas o cumprimento rigoroso da lei.
O povo simples, que não tinha dinheiro para se purificar nem conseguia obedecer às centenas de leis da tradição, acabava se sentindo pecador e indigno do amor de Deus.

MUDANÇAS DE CENÁRIO
Vocês já viram as dunas do deserto? Dunas são morros de areia que o vento carrega de um lado para o outro. Num dia, o morro está aqui. No outro dia, aparece lá adiante. A cada manhã a paisagem está diferente e nunca se sabe como será no dia seguinte.
A história é como esse deserto. A política, a economia e os outros aspectos da sociedade mudam constantemente. Não de um dia para outro, como as dunas, mas por períodos. De um ano para outro as coisas mudam. Em uma década, mudam bastante. Em um milênio, então!...
Durante os anos em que o NT foi escrito, muitas coisas no contexto histórico mudaram. Por isso, é importante que o catequista se aprofunde cada vez mais na história daquela época. Livros, jornais, apostilas, vídeos e palestras ajudam a enriquecer nosso banco de dados sobre aquela época e, assim, nos tornamos sempre mais capazes de compreender profundamente a Palavra de Deus contida no NT.

Fonte: Folheto Ecoando 9- formação interativa com catequistas - Editora Paulus

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

COMO JESUS LÊ A BÍBLIA



UM MOMENTO DE CONFUSÃO
Você conhece a história de Emaús? Leia em Lc 24,13-24 e descubra: quem são os personagens? Qual a imagem que os discípulos tinham de Jesus? Qual era o motivo da desilusão?
Na época de Jesus, o povo estava se sentindo muito abandonado. Muitos esperavam que Deus ouvisse seu clamor e viesse chamar o povo para uma nova Aliança.
Apareceu Jesus, que contava parábolas, curava doentes, expulsava demônios. Os poderosos se sentiam fracos e questionados perto de Jesus. Os humildes se sentiam corajosos ao lado dele. Muitos se tornaram discípulos.
Não seria ele o libertador esperado em Israel? Por causa dessa suspeita, os poderosos condenaram Jesus à cruz, como faziam com todos os seus adversários.
A cruz causou uma enorme desilusão nos discípulos. Pensavam que ele fosse um profeta, o libertador de Israel! Como continuar com o Reino de Deus se podiam acabar na cruz com Jesus? Tudo parecia perdido...

UM MOMENTO DE REFLEXÃO
Agora, vamos ler Lc 24,25-27. Como Jesus leu a Bíblia?
A história do povo da Bíblia ajudava a entender o mistério da cruz. Mas, para entender isso, era preciso encontrar a mensagem central.
Quando Jesus leu a Bíblia “começando por Moisés e continuando por todos os profetas”, fez uma leitura global da Bíblia Olhou o conjunto e tirou o principal da história.
Ele também “explicava as passagens da Escritura que falavam a respeito dele”. Isto é, selecionou textos que clareavam a cegueira dos discípulos naquele momento.
Jesus uniu as duas formas de ler:
· a leitura global, fiel a mensagem central;
· e a leitura de textos selecionados para aquele momento.
Fez como a abelha, que descobre o campo florido e vai de flor em flor em busca do néctar:
A Bíblia é este campo. Temos que ir de texto em texto para saborear a Palavra.

O MOMENTO DA DESCOBERTA
Leia Lc 24,28-35 e reflita:
· Como o partir do pão abriu os olhos dos discípulos?
· No fim da história, para onde os discípulos foram?
Por que mudaram de idéia?
Naquela época, comer com um pecador ou impuro fazia a gente se tornar pecador, também. Po isso, só os “perfeitos” eram acolhidos. Os pobres, estrangeiros, doentes e pecadores eram desprezados.
Jesus “fingiu que ia mais adiante” para provocar uma atitude de acolhida por parte dos discípulos. E eles não decepcionaram! Acolheram aquele estranho sem medo de comer com ele.
Quando Jesus partiu o pão na frente deles, tudo passou a fazer sentido. Clareou a cegueira e eles viram que Jesus estava vivo! Só quem acreditava no projeto do Reino e partilhava o pão com um estranho era capaz de enxergar o Ressuscitado.
Não adiantava só falar dos problemas sem pensar na solução. Nem só ler a Bíblia sem ligá-la com a vida.
A gente descobre o Ressuscitado quando aceita a cruz e continua o projeto do Reino, partilhando o pão sem desanimar.

A PEDAGOGIA BÍBLICA DE JESUS
A história dos discípulos de Emaús é um manual para os catequistas de ontem e de hoje. Ela nos ensina a ler a Bíblia a partir da realidade dos catequizandos.
Vamos ver passo a passo a pedagogia bíblica de Jesus:
PRIMEIRO PASSO: A CONVIVÊNCIA.
Caminhar com os catequizandos. Jesus não chega com arrogância, criticando ou elogiando seus discípulos. Simplesmente caminha ao lado, acompanhando o ritmo dos passos deles e observando.
Ouvir os catequizandos. Depois de caminhar com eles um bom tempo, Jesus entra na conversa. Não impõe um assunto seu, simplesmente entra no assunto deles, ouvindo com toda a atenção.
SEGUNDO PASSO: A PALAVRA
Questionar os catequizandos. Quando fica bem ao par da conversa, Jesus da seu parecer. Apresenta com firmeza seu ponto de vista, sempre a partir das Escrituras. Seu objetivo não é defender idéias, mas sim clarear o caminho dos discípulos para que encontrem a Vida. Ele não deixa os discípulos perdidos na escuridão.
TERCEIRO PASSO: A MISSÃO
Provocar os catequizandos. Jesus faz uma catequese dinâmica e interativa. Não só fala a respeito das Escrituras, como também provoca os discípulos a agir de acordo com ela. Chama-os a praticar a solidariedade que a Bíblia ensina de ponta a ponta.
QUARTO PASSO: A PARTILHA
Partilhar o pão com os catequizandos. O pão partilhado seria para sempre o sinal da chegada do Reino. Partilhar é realizar a igualdade entre nós. A catequese de Jesus não para no anúncio da Palavra, mas concretiza essa Palavra no dia-a-dia dos discípulos.
Desaparecer. Jesus deixa os discípulos para que sigam seus caminhos. Também o catequista deve “desaparecer” qundo os catequizandos estão maduros para seguirem os próprios caminhos.

LENDO A BÍBLIA A PARTIR DA VIDA
Parece fácil ler a Bíblia partindo da realidade do catequizando. Mas não é fácil, não. Exige:
· caminhar com o catequizando, conhecer seu dia-a-dia;
· sentir na pele suas alegrias e tristezas;
· ouvir suas idéias, conversar com franqueza;
· saber quando apoiá-los e quando questioná-los;
· provocá-los para assumirem na vida os desafios da Palavra;
· partilhar com eles o pão da Palavra e da Eucaristia;
· devolver-lhes progressivamente a voz e a vez, na família, na comunidade e na sociedade.
Fonte: Folheto Ecoando 8 - formação interativa de catequistas - Editora Paulus